Workshop participativo “Alimentar Portugal” reuniu instituições científicas e representantes dos setores agroalimentar e agroflorestal para debater prioridades nacionais de investigação e inovação
A Universidade de Évora acolheu, no dia 18 de setembro, o workshop participativo “Alimentar Portugal – Consulta Bottom-up sobre Prioridades de Investigação e Inovação Agroalimentar e Agroflorestal”. A iniciativa reuniu, pela primeira vez, um conjunto alargado de seis centros de investigação nacionais destas áreas, promovendo uma reflexão conjunta sobre as prioridades científicas e as ações necessárias para responder aos desafios do setor.
O encontro reuniu em Évora cerca de 150 participantes e foi também acompanhado online por mais de meia centena de pessoas. Investigadores, docentes, estudantes, produtores e representantes de empresas, associações e organismos da Administração Pública participaram nesta consulta, que teve como objetivo aprofundar uma proposta estratégica para a investigação e inovação agroalimentar e agroflorestal em Portugal.
Da comunidade científica para as prioridades nacionais
A reflexão teve como ponto de partida a proposta de Domínio Estratégico para a Política Nacional de Ciência e Inovação “Alimentar Portugal: Ciência e Inovação para a Segurança, Soberania e Competitividade Nacional”, apresentada no workshop por Anabela Raymundo, do LEAF, Instituto Superior de Agronomia da Universidade de Lisboa.
Resultante da agregação de nove propostas apresentadas na sessão Agricultura, Agroalimentar e Bioeconomia do encontro Ciência e Inovação 2026, promovido pela AI² – Agência para a Investigação e Inovação, o documento procura afirmar a agricultura e a alimentação como um domínio estratégico nacional, integrando toda a cadeia de valor.
Os contributos recolhidos permitirão agora aprofundar esta proposta no âmbito das iniciativas bottom-up promovidas pela comunidade científica, contribuindo para a avaliação estratégica em curso e para a definição das prioridades nacionais de investigação e inovação numa perspetiva de longo prazo.
Uma reflexão construída em conjunto
Durante a sessão “Construindo a transição: das prioridades de hoje às soluções de amanhã”, os participantes foram distribuídos por grupos transdisciplinares, nos quais analisaram as prioridades apresentadas e discutiram necessidades, objetivos e possíveis linhas de atuação.
As reflexões de cada grupo foram posteriormente apresentadas pelos respetivos relatores e debatidas em plenário. A sessão, moderada por Maria do Rosário Partidário, coordenadora científica da metodologia ST4S – Strategic Thinking for Sustainability, permitiu aprofundar algumas das ideias apresentadas com a participação dos moderadores dos grupos.
O debate destacou a necessidade de aproximar a investigação dos problemas reais dos produtores e das empresas, reforçar a transferência de conhecimento e tecnologia e melhorar a articulação entre a academia, o setor produtivo, a Administração Pública e as direções regionais.
O investimento continuado em ciência e inovação, o financiamento dirigido a áreas prioritárias, a estabilidade das carreiras científicas, a renovação geracional e a capacidade de atrair estudantes estiveram também entre as preocupações identificadas. Foi ainda salientada a importância de partilhar equipamentos e infraestruturas e de valorizar as competências existentes nas diferentes instituições.
Mais do que produzir conclusões fechadas, o encontro permitiu colocar à mesma mesa diferentes áreas científicas, instituições e setores, identificar preocupações comuns e dar continuidade a uma articulação nacional até agora pouco estruturada.
Colaboração, investimento e ligação ao território
No encerramento, António Candeias, Reitor da Universidade de Évora, destacou o potencial do Alentejo para o desenvolvimento e a demonstração de soluções com aplicação noutras regiões. A escassez de água, as temperaturas extremas, a conservação do solo e a sustentabilidade dos sistemas agrícolas e florestais são alguns dos desafios já presentes no território e que exigem respostas assentes no conhecimento científico.
“Não queremos apenas produzir conhecimento sobre o território. Queremos produzir conhecimento com o território e para o território”, afirmou.
O Reitor salientou ainda que a definição das prioridades nacionais deve considerar as competências científicas e as infraestruturas já existentes no país, acompanhadas de financiamento previsível, carreiras científicas, capacidade de atrair talento e mecanismos de transferência de conhecimento para a economia e para a sociedade.
Fátima Baptista, Diretora do MED, defendeu a continuidade da articulação iniciada entre os centros de investigação, de forma a mobilizar competências complementares, partilhar recursos e potenciar o conhecimento produzido nas diferentes instituições.
“Não faz sentido que, num país tão pequeno, estejamos cada um para o seu lado. Somos complementares e temos de trabalhar juntos e colaborar”, afirmou.
A Diretora do MED destacou também a necessidade de transformar a capacidade científica existente em soluções que possam ser testadas, adaptadas e aplicadas pelos produtores e pelas empresas, bem como de transmitir às novas gerações uma imagem atual da agricultura e da floresta enquanto setores tecnologicamente avançados e estratégicos para o país.
Helena Canhão, Secretária de Estado da Ciência e Inovação, salientou a importância de reforçar as redes nacionais entre investigadores, instituições de ensino superior, empresas e outras entidades, reunindo competências e criando a massa crítica necessária para responder a desafios complexos.
“Esta componente de trabalhar em conjunto, de resolver problemas, é fundamental no dia a dia de quem está na academia, de quem está a trabalhar em investigação e inovação”, afirmou.
A Secretária de Estado destacou ainda o papel das políticas públicas na criação de condições para o funcionamento do sistema científico e a importância de manter a componente bottom-up na construção das prioridades, em articulação com a AI², e outras agências, como a agricultura, florestas, clima, energia, saúde, e as políticas setoriais.
O workshop foi coorganizado pelo MED – Instituto Mediterrâneo para a Agricultura, Ambiente e Desenvolvimento, CIMO – Centro de Investigação de Montanha, CITAB – Centro de Investigação e de Tecnologias Agroambientais e Biológicas, GreenUPorto – Centro de Investigação em Produção Agroalimentar Sustentável, LEAF – Linking Landscape, Environment, Agriculture and Food e Green-it – Bioresources for Sustainability. A iniciativa contou ainda com a colaboração dos Laboratórios Associados CHANGE, Inov4Agro, SUSTEC, TERRA e LS4FUTURE.
Os contributos recolhidos serão agora considerados no aprofundamento da proposta “Alimentar Portugal: Ciência e Inovação para a Segurança, Soberania e Competitividade Nacional”, e enviados à AI² com vista ao reconhecimento da agricultura e da alimentação como áreas estratégicas para a segurança, a soberania, a sustentabilidade e a competitividade nacional.
Fonte: MED
















































