O Food4Thought vai levar a estudantes do ensino secundário e universitário a ciência por detrás de dois setores decisivos para a segurança alimentar e desmontar os mitos que ainda os travam. O Food4Thought é um projeto que quer mudar, com base em evidência científica, a forma como os jovens portugueses percecionam a aquacultura e os insetos como fonte alimentar.
Financiado pela Egas Moniz School of Health & Science e desenvolvido em parceria com o B2E – Blue Bioeconomy CoLAB e a Thunder Foods, o projeto vai trabalhar diretamente com estudantes do ensino secundário e superior, a geração que está agora a começar a decidir o que compra no supermercado.
O peixe de aquacultura e a produção de insetos para consumo são duas áreas com um problema em comum: espera-se que ambos cresçam de forma significativa na próxima década, mas ambos enfrentam uma barreira que não é técnica nem económica, mas de perceção.
Com a pesca de captura no seu limite, o aumento da procura de proteína terá de ser suprido pela aquacultura, pela pecuária e por fontes alternativas, como os insetos. “Com o aumento da população e da necessidade de proteína para consumo humano, todas as origens vão ter de crescer: aquacultura, pescas, produção pecuária e também os insetos. O que queremos é que cresça a produção sustentável, porque de outra forma teremos dificuldade em alimentar a população a longo prazo. Nunca poderemos depender de um só tipo de proteína, mas sim de uma variedade de soluções”, adverte Elisabete Matos, responsável pelo projeto.
Se a perceção pública não acompanhar, o risco é concreto. Na aquacultura, por exemplo, um consumo que não cresce pode travar o crescimento do setor, transferindo a pressão para stocks selvagens. No caso dos insetos, uma alternativa de produção local, de elevado rendimento proteico e alinhada com a economia circular, a falta de aceitação pode inviabilizar economicamente um setor em que a União Europeia tem investido de forma consistente.
Dois setores, dois mitos diferentes
A investigação internacional é clara quanto à natureza do obstáculo. Nos insetos, a barreira é sobretudo emocional. Na aquacultura, é informativa e alimentada por informação desatualizada ou incorreta que circula com frequência nos meios de comunicação de saúde e bem-estar.
“No caso dos insetos, o que queremos é chamar a atenção para o facto de estarmos a tomar decisões emocionais e não racionais, e desmontar a questão do «nojo» com informação acessível. Na aquacultura, o desafio é sobre as questões relacionadas com a segurança dos alimentos, o uso – ou o não uso – de antibióticos e hormonas, e outros mitos que deixam os consumidores desconfortáveis”, explica Elisabete Matos.
Ouvir, intervir e medir
O que distingue o Food4Thought de outras iniciativas de educação alimentar é o seu desenho em três tempos. O projeto começa por ouvir os jovens; usa depois essa informação para desenhar uma ação educativa à medida; e, no final, volta a medir para quantificar a mudança de atitudes, se ela existir.
“Não queremos apenas saber a opinião dos jovens. Queremos usar essa opinião para desenhar a intervenção e, depois de a implementarmos, quantificar a mudança de opinião. E, apesar de ser um projeto pequeno e com um orçamento modesto, o nosso objetivo é que a intervenção possa depois ser aplicada por qualquer outra escola ou universidade interessada em explorar estes temas”, sublinha a responsável.
O trabalho de campo envolve uma escola secundária e duas instituições de Ensino Superior, abrangendo jovens a partir dos 16 anos. O resultado final não será apenas um conjunto de dados, mas um modelo pedagógico replicável, disponível para outras escolas e universidades.
Fonte: Egas Moniz School of Health & Science, B2E CoLAB e Thunder Foods















































