Têm sido bastante significativos os crescimentos alcançados nas últimas décadas pelas exportações de produtos agrícolas. Como é que tais crescimentos se explicam no contexto de um reduzido crescimento da produção agrícola nacional?
A pergunta
Como se enquadram os crescimentos alcançados pelas exportações de produtos agrícolas nas últimas décadas no reduzido crescimento da produção agrícola nacional?
Resposta curta
Não. Embora o valor das exportações agrícolas tenha crescido muito mais depressa do que o da produção nacional, a produção destinada ao consumo interno também aumentou de forma expressiva. Por isso, o peso das importações naquilo que consumimos manteve-se praticamente estável, à volta de 33%. Exportar mais não significou passar a depender mais do exterior para nos alimentarmos.
Os números
- crescimento do valor das exportações de produtos agrícolas: + 8,9%/ano (preços correntes nominais)
- crescimento do valor da produção agrícola: +5,7%/ano (preços correntes nominais)
- crescimento do valor da produção agrícola destinada ao consumo interno: +4,1%/ano (preços correntes nominais)
- peso das exportações no valor da produção agrícola: passou de 11,5% (2011) para 15,9% (2022).
Fundamentação
O valor a preços correntes nominais das exportações de produtos agrícolas cresceu de forma significativa na última década, tendo atingido uma taxa média de crescimento de +8,9%/ano, a qual foi bastante superior ao ritmo de crescimento do valor a preços correntes nominais do total da produção agrícola (+5,7%/ano).
Este diferencial tem levado a que alguns analistas surgiram que esta aposta nas exportações põe em risco a segurança alimentar nacional por aumentar a dependência externa do consumo de bens alimentares.
Os dados disponíveis permitem-nos, no entanto, concluir que a evolução verificada para o valor a preços correntes da produção agrícola destinada para o consumo interno (+4,1%/ ano) foi suficiente para que o peso das importações no consumo aparente total se tenha mantido praticamente constante, cerca de 33% durante o período de “2011”-“2022”, apesar do aumento verificado para o peso das exportações no valor da produção agrícola ter crescido de 11,5 para 15,9% ao longo do período em causa.
O artigo foi publicado originalmente em AGRO.GES.














































