Segundo o Princípio Científico Q10, um aumento de 10°C duplica ou triplica a velocidade com que os produtos frescos se estragam;
Dados do Eurostat indicam que cada português desperdiça, em média, 184 kg de comida por ano, uma realidade agravada no verão, período em que 28% dos consumidores, de acordo com um estudo da Too Good To Go, admitem deitar mais alimentos fora, sendo a fruta a categoria mais consensual de desperdício, apontada por 48% dos inquiridos;
Too Good To Go apresenta orientações e dicas de conservação doméstica e destaca o papel da tecnologia na mitigação de quebras no comércio retalhista.
Portugal enfrenta uma vaga de temperaturas extremamente elevadas, com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) a emitir múltiplos avisos meteorológicos devido ao calor intenso. Para além dos impactos na saúde pública e no quotidiano das populações, as temperaturas extremas trazem consigo um desafio crítico de sustentabilidade e gestão económica: a aceleração drástica do desperdício alimentar.
Esta aceleração é validada cientificamente através do Princípio Q10, que demonstra que um aumento de apenas 10°C na temperatura ambiente pode duplicar ou até triplicar a velocidade das reações químicas e biológicas responsáveis pela deterioração dos alimentos.
O fenómeno agrava o panorama nacional num período em que, de acordo com o relatório oficial do Parlamento Europeu sobre o Desperdício Alimentar, cada português desperdiça cerca de 184 kg de alimentos por ano – o que posiciona Portugal como o quarto país da União Europeia com maior quebra alimentar por habitante, estimando-se um total anual de 1,9 milhões de toneladas de comida desperdiçada no país.
Esta pressão estrutural intensifica-se consideravelmente durante a época estival. De acordo com o histórico de dados de consumo da Too Good To Go, 28% dos consumidores portugueses admitem desperdiçar uma maior quantidade de alimentos durante os meses de verão, sendo a fruta (48%) a categoria de produto mais afetada, seguida de perto pelos legumes e pelos produtos lácteo, devido ao seu menor tempo de vida útil sob temperaturas elevadas.
“As temperaturas extremas exigem uma adaptação rigorosa nos nossos hábitos de conservação”, afirma Maria Tolentino, Country Manager da Too Good To Go em Portugal. “Num contexto de pressão económica sobre o orçamento das famílias, o desperdício de alimentos devido ao calor representa um prejuízo duplo: o custo financeiro do produto que se estragou e o desperdício da energia elétrica que o equipamento de refrigeração consumiu, em sobre-esforço, para tentar conservar esse mesmo alimento. É fundamental adotarmos medidas preventivas imediatas, recorrendo tanto a pequenos gestos diários na cozinha como ao suporte da tecnologia, para mitigar este impacto antes que o desperdício aconteça.”
Para apoiar os consumidores na mitigação do impacto das altas temperaturas, a Too Good To Go reuniu um conjunto de orientações e dicas:
- Avaliação sensorial dos produtos (Observar, Cheirar, Provar): o calor pode fazer com que laticínios ou sumos sofram alterações físicas ligeiras perto do fim do seu prazo de validade. Antes de descartar um produto com a indicação de “Consumir de preferência antes de” ultrapassada, a Too Good To Go recomenda a utilização dos sentidos para verificar se o alimento está realmente impróprio para consumo;
- Eficiência do equipamento de refrigeração: os frigoríficos operam em sobre-esforço com temperaturas externas elevadas. Para evitar falhas técnicas ou consumo excessivo de energia, não deve sobrecarregar o equipamento (o ar frio necessita de circular livremente) e deve assegurar a limpeza das bobinas traseiras. Garanta que a temperatura se mantém entre os 0°C e os 4°C na zona mais fria.
- Isolamento de alimentos produtores de etileno: frutas como bananas, maçãs e tomates libertam gás etileno, um componente natural que funciona como catalisador e acelera a maturação dos vegetais circundantes. Durante uma vaga de calor, separe estes alimentos dos restantes e armazene as frutas de verão na gaveta inferior do frigorífico para retardar o processo de desidratação e amadurecimento acelerado;
- Utilização de cortiça para controlo de humidade: a colocação de uma ou duas rolhas de cortiça (cortadas longitudinalmente) no interior da fruteira ajuda a absorver o excesso de humidade ambiente. Esta medida reduz significativamente a proliferação de bolor nas frutas mais sensíveis;
- Preparação de refeições frias (Gaspacho): Tomates e pimentos que tenham amolecido devido ao calor acumulam uma maior concentração de açúcares naturais. Este é o momento ideal para os processar a frio com azeite e alho, resultando numa refeição hidratante e com aproveitamento total da matéria-prima;
- Congelação e confeção de gelados caseiros: caso verifique que as bananas estão a amadurecer demasiado rápido, corte-as em rodelas e armazene-as no congelador. Posteriormente, podem ser trituradas para a criação de um gelado natural instantâneo (nice cream), sem adição de açúcares;
- Bebidas aromatizadas com excedentes de fruta: morangos ou fatias de pepino que apresentem sinais de desidratação pelo calor podem ser integrados num jarro com água fria e gelo, constituindo uma opção de hidratação refrescante e de desperdício zero;
- Armazenamento em suportes ventilados: evite recipientes fechados para produtos frescos. Os ventilados permitem a circulação contínua do ar, impedindo a criação de bolsas de calor e humidade entre os alimentos.
O papel da tecnologia na gestão do retalho nacional
As temperaturas elevadas não afetam apenas as cozinhas dos consumidores; representam também um desafio severo para a gestão de stocks em supermercados, padarias, restaurantes e mercearias, onde a quebra de produtos frescos tende a registar um aumento linear nos dias de maior calor.
A Too Good To Go, empresa de impacto social responsável pela maior aplicação do mundo para salvar alimentos e combater o desperdício alimentar, posiciona-se aqui como uma ferramenta de resposta rápida para o tecido empresarial. Atualmente, a comunidade da plataforma em Portugal já conta com mais de 2,7 milhões de utilizadores, que em conjunto com uma rede de mais de 5.500 parceiros já salvaram mais de 7,7 milhões de refeições (Suprise Bags) — o que evitou diretamente a destruição de mais de 7.700 toneladas de comida em perfeitas condições de consumo.
Fonte: Too Good To Go














































