Os mercados de carbono, em particular os voluntários, têm sido alvo de uma crescente atenção pública, com o lançamento do mercado português, o anúncio do europeu e a consolidação do mercado espanhol a par de iniciativas privadas à escala global.
Num momento em que a elevada circulação de informação gera dúvidas acerca destes mecanismos, que continuam ainda aquém do nível de desenvolvimento desejado na Europa, o Instituto Superior de Agronomia, a ADENE – Agência para a Energia, a Agência para o Clima e a Mota-Engil ATIV promoveram a conferência “A Floresta Ibérica e os Mercados Voluntários de Carbono”, realizada no Instituto Superior de Agronomia, em Lisboa, no âmbito da EU Green Week 2026.
Na sessão de abertura do encontro, a Ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, realçou que têm em curso os avanços na operacionalização do Mercado Voluntário de Carbono em Portugal, sublinhando que está em desenvolvimento “o alargamento do quadro metodológico a novas tipologias de projetos florestais, designadamente «Reflorestação» e «Gestão florestal melhorada», estando para breve a sua aprovação”.
Assumindo a floresta como uma prioridade do Governo, a responsável destacou que há, contudo, vários desafios a dar resposta, no futuro imediato: “No setor da floresta, e com três metodologias dedicadas, importa impulsionar o surgimento de bons projetos, que contribuam para a sustentabilidade da gestão florestal, mas também para a redução de riscos e a valorização dos territórios, tendo como ponto de partida o sequestro de carbono e a comercialização dos respetivos créditos. Importa, contudo, gerir adequadamente as expectativas, fazer compreender regras fundamentais como a adicionalidade, reconhecer a grande complexidade técnica inerente aos mercados e metodologias, assumir que temos de ter uma lógica de investimento a longo prazo para que os resultados sejam alcançáveis”.
Destacou ainda que “precisamos também de diversificar e alargar o âmbito de funcionamento do Mercado, para além do setor florestal, com metodologias que podem abranger o carbono azul e os ecossistemas marinhos, pelo que aguardamos com expetativa desenvolvimentos já previstos neste âmbito. Estamos também empenhados no restauro da natureza, com a preparação do plano nacional, e há um nexo importante com os mercados de carbono que devemos potenciar em torno da biodiversidade, do capital natural e da recuperação de ecossistemas degradados. Para além dos créditos de «carbono mais» queremos também avançar no domínio dos créditos de natureza, havendo oportunidades e sinergias a explorar “.
Reiterando o compromisso internacional de Portugal em matéria de transição energética, descarbonização da economia e adaptação às alterações climáticas (PNEC 2030 e ENAAC 2030), a Ministra do Ambiente e Energia concluiu que “os Mercados Voluntários de Carbono são instrumentos de grande potencial” e que, pelo Governo, “continuaremos empenhados no seu funcionamento, ambicionando um maior envolvimento das empresas e dos investidores, visando a neutralidade climática e um modelo de desenvolvimento territorial sustentável, resiliente e coeso”.
Por sua vez, o Presidente da Mota-Engil ATIV, José Pedro Freita, salientou que o debate de hoje, que reuniu especialistas, decisores, academia e empresas para discutir o funcionamento dos Mercados Voluntários de Carbono (nacionais, europeus e privados) na floresta ibérica e o seu papel enquanto instrumento de investimento na natureza e de ação climática, procuraram “fazer uma viagem — uma viagem que é, na verdade, essencial para o futuro das nossas comunidades: da urgência climática e do potencial das nossas florestas, à confiança nos mercados, da confiança nos mercados à viabilidade dos projetos e da viabilidade dos projetos à resiliência europeia e ao futuro da floresta ibérica”.
A conferência “A Floresta Ibérica e os Mercados Voluntários de Carbono” teve o selo oficial de EU Green Week Partner Event, atribuído pela Comissão Europeia, reconhecendo a relevância do tema e o alinhamento com as prioridades estratégicas da União e contou ainda com o apoio da United Nations Global Compact.
Sobre EU Green Week Partner Event
A EU Green Week é o principal evento anual da Comissão Europeia dedicado às políticas ambientais e climáticas, destacando boas práticas e projetos inovadores, bem como o papel da ciência, dos mercados e do financiamento sustentável na aceleração da ação climática.
Fonte: Mota-Engil ATIV













































