O presidente da Associação Nacional dos Industriais de Laticínios (ANIL) considerou hoje que o setor dos laticínios atravessa “uma fase de mudança” marcada pela alteração dos padrões de consumo, defendendo a necessidade de maior investimento para garantir a competitividade.
À margem do Enlácteos 2026 – Encontro Nacional de Laticínios, que decorreu em Ourém, distrito de Santarém, José Oliveira Marques sublinhou que iniciativas como esta permitem “valorizar o setor” e reforçar parcerias entre empresas, académicos e decisores, além de ajudar a “desmistificar” algumas perceções negativas sobre os produtos lácteos.
“O leite tem tido alguma redução no consumo, mas os produtos lácteos têm registado um crescimento significativo”, afirmou, indicando que os consumidores estão a optar mais por derivados como queijo e iogurtes, tendência que considera “animadora” para a indústria.
De acordo com o responsável, esta mudança implica uma adaptação das empresas, que têm de investir na diversificação e inovação dos produtos, sublinhando que Portugal “produz produtos de excelência” e de “alta qualidade”, fruto de elevados padrões na matéria-prima utilizada.
Entre os principais desafios identificados no encontro, o presidente da ANIL destacou a alteração estrutural do consumo, frisando que o setor não enfrenta apenas uma transição conjuntural, mas sim uma transformação profunda.
“Não estamos numa mudança de fase, estamos numa fase de mudança”, afirmou, apontando a necessidade de ajustar a oferta à nova procura.
No plano das políticas públicas, José Oliveira Marques reiterou que o setor necessita de apoio governamental para responder aos investimentos exigidos por esta transformação, alertando que a adaptação do ‘mix’ de produtos implica custos elevados que dificilmente podem ser suportados apenas pelas empresas.
O dirigente chamou a atenção para as dificuldades do setor primário, referindo que os produtores de leite em Portugal enfrentam custos de produção superiores aos de outros países europeus, o que reduz a rentabilidade e afeta a competitividade.
Segundo o responsável, esta situação tem contribuído para a diminuição do número de produtores e para a falta de renovação geracional, já que a atividade “não é muito atrativa” do ponto de vista económico.
“Ou há aqui um apoio e um incentivo para novos produtores ou vamos continuar a assistir à redução do número de produtores”, advertiu.
José Oliveira Marques destacou ainda o papel do setor na coesão territorial e na preservação da paisagem, defendendo que a produção leiteira contribui de forma significativa para a manutenção do espaço rural.
Quanto ao futuro, o presidente da ANIL mostrou-se confiante na capacidade de resistência do setor, apesar das dificuldades, considerando que, com os investimentos e apoios adequados, a fileira poderá continuar a “prosperar” e a assegurar produtos de qualidade.
O Enlácteos 2026 reuniu em Ourém empresários, especialistas, académicos e decisores para debater os fatores que estão a transformar a indústria agroalimentar, em particular o setor dos laticínios.
Numa mensagem em vídeo, o ministro da Agricultura, José Manuel Fernandes, destacou a resiliência do setor leiteiro num contexto marcado por “profundas transformações económicas e geopolíticas”, nomeadamente “as pressões decorrentes da volatilidade dos mercados internacionais, o aumento dos custos de produção e a crescente exigência dos consumidores”.
Segundo o governante, estes fatores têm vindo a pressionar a cadeia de valor do leite e produtos lácteos, ainda que o setor tenha demonstrado “uma notável capacidade de adaptação, modernização e inovação”, envolvendo produtores, cooperativas, indústria e distribuição.
Neste âmbito, referiu que estão disponíveis mais de 20 milhões de euros anuais em pagamentos ligados aos produtores de leite, complementados com apoios à modernização das explorações, ao bem-estar animal e à adaptação às exigências ambientais e de mercado.













































