No início do ano o Governo aprovou a Estratégia “+Cereais” através da Resolução do Conselho de Ministros n.º 1/2026.
Na altura, o sector agrícola regozijou-se com a aprovação deste documento que se revela fundamental para relançar a actividade cerealífera em Portugal e reduzir assim a nossa crescente, e muito preocupante, dependência face ao exterior.
Efectivamente e num período marcado por uma acentuada instabilidade geopolítica mundial recordamos o que é referido nesta Resolução “… em consequência do actual contexto internacional, verifica-se que o aumento generalizado dos preços dos custos de produção e as tensões geopolíticas vieram introduzir uma maior incerteza e vulnerabilidade no mercado mundial, em particular dos cereais” e acrescenta “Esta situação é particularmente preocupante para Portugal, enquanto país deficitário em cereais com menores graus de auto-aprovisionamento da União Europeia e dependente do mercado externo para o abastecimento de matérias-primas, nomeadamente, de cereais para a alimentação animal e moagem”.
Face ao exposto e tendo em conta o enorme aumento dos custos dos fertilizantes que se verificou nos últimos meses, que se traduziu num acréscimo a rondar os 300€/ha nas culturas regadas, os Produtores Nacionais de Cereais entendem que o valor anunciado na semana passada pelo Ministério da Agricultura que passa por atribuir uma ajuda de 28 €/ha para as áreas de regadio e de 12 €/ha para as culturas de sequeiro, fica muito aquém das reais necessidades do sector.
Assim sendo e de forma a permitir que os objectivos apresentados na Estratégia “+Cereais” possam ser cumpridos, aumentando a produção de cereais em Portugal, a ANPROMIS, a ANPOC e a AOP vêm apelar ao Governo para que estes apoios sejam revistos e, no mínimo, alinhados com os que foram atribuídos em Espanha e já aprovados pela Comissão Europeia, isto é, 22€/ha para as culturas de sequeiro e de 55€/ha para as culturas de regadio, num pacote global de 500 milhões de euros.
Também no caso do gasóleo agrícola, a ajuda atribuída aos produtores nacionais fica muito aquém das reais necessidades do sector sendo, também neste caso, fundamental alinhar os apoios nacionais com os que foram atribuídos em Espanha, isto é, 20 cêntimos por litro, enquanto em Portugal, cujo gasóleo já é tradicionalmente mais caro, o apoio foi de apenas 10 cêntimos.
As três associações signatárias deste Comunicado reafirmam a importância estratégica do sector dos cereais para a economia nacional e para a soberania alimentar de Portugal, sublinhando a necessidade de uma resposta célere e eficaz que permita salvaguardar a continuidade desta produção.
Fonte: ANPROMIS, a ANPOC e AOP














































