As importações chinesas de soja brasileira aumentaram 13,7% em junho, para um recorde de 12,08 milhões de toneladas, enquanto as compras aos Estados Unidos caíram 20,6%, apesar do compromisso assumido por Pequim de reforçar as aquisições.
Segundo dados divulgados na segunda-feira pela Administração-Geral das Alfândegas da China, no total, as importações chinesas de soja atingiram 13,55 milhões de toneladas em junho, um máximo histórico para este mês, impulsionadas pela oferta brasileira e pelo desbloqueio de cargueiros que estavam retidos em portos chineses.
Em junho de 2025, o Brasil exportou para a China 10,62 milhões de toneladas de soja, enquanto os Estados Unidos venderam 1,6 milhões de toneladas.
Os dados do primeiro semestre mostram uma tendência mais prolongada de queda das importações provenientes dos Estados Unidos. Entre janeiro e junho, a China comprou 9,31 milhões de toneladas de soja norte-americana, menos 42,4% do que no mesmo período do ano anterior, apesar do compromisso assumido por Pequim de importar pelo menos 25 milhões de toneladas por ano até 2028, ao abrigo do acordo alcançado entre os Presidentes dos Estados Unidos e da China, Donald Trump e Xi Jinping.
No mesmo período, as importações de soja brasileira cresceram 9,1%, para 34,75 milhões de toneladas.
O compromisso sino-americano é calculado numa base anual, pelo que os carregamentos de junho refletem compras efetuadas semanas ou meses antes, deixando margem para que as aquisições aos Estados Unidos aumentem na segunda metade do ano.
O objetivo anual foi mantido após uma segunda ronda de contactos ao mais alto nível entre Trump e Xi, realizada em maio.
A evolução das importações acompanha uma mudança mais ampla no comércio externo brasileiro. Segundo um relatório do Conselho Empresarial Brasil – China, as exportações do Brasil para a China aumentaram 22% no primeiro semestre, para um recorde de 58,3 mil milhões de dólares (cerca de 51 mil milhões de euros), enquanto as vendas para os Estados Unidos recuaram 13%, para 17,4 mil milhões de dólares (15,2 mil milhões de euros).
No mesmo dia em que o relatório foi divulgado, o Representante Comercial dos Estados Unidos confirmou a aplicação de uma tarifa de 25% sobre vários produtos brasileiros, na sequência de uma investigação que incidiu sobre questões como desflorestação ilegal, acesso ao mercado do etanol e divergências em torno do sistema de pagamentos instantâneos Pix.
Segundo a Câmara Americana de Comércio no Brasil (Amcham Brasil), a medida poderá afetar mais de 11 mil milhões de dólares (9,6 mil milhões de euros) em exportações industriais e agrícolas brasileiras, embora produtos como café, carne bovina, sumo de laranja, petróleo, gás e componentes aeroespaciais tenham ficado isentos.
Segundo o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços brasileiro, Marcio Elias Rosa, os Estados Unidos levantaram também, durante as negociações, a questão dos minerais críticos, defendendo que a exploração destes recursos fosse vedada a entidades que “não operam em condições de mercado”, numa referência implícita à China.
Rosa afirmou que o Governo brasileiro rejeitou a proposta, argumentando que as terras raras e os minerais críticos pertencem ao povo brasileiro.
Apesar do aumento das receitas obtidas com a soja, o volume exportado pelo Brasil para a China manteve-se praticamente estável no primeiro semestre. As vendas renderam 20,2 mil milhões de dólares (17,7 mil milhões de euros), mais 7% do que um ano antes, graças sobretudo à subida dos preços, já que o volume embarcado recuou 0,2%.
A soja representou 34,7% das exportações brasileiras para a China, menos 4,8 pontos percentuais do que no ano anterior, enquanto o petróleo bruto ganhou peso. As vendas de crude para o mercado chinês aumentaram 62%, para 15,1 mil milhões de dólares (13,2 mil milhões de euros), impulsionadas pelas tensões no Médio Oriente e pelo receio de perturbações no estreito de Ormuz.
As exportações brasileiras de minério de ferro para a China atingiram igualmente um máximo histórico no primeiro semestre, com 135 milhões de toneladas, no valor de 9,2 mil milhões de dólares (oito mil milhões de euros).
As exportações de carne bovina cresceram 50%, para 4,8 mil milhões de dólares (4,2 mil milhões de euros), à medida que os exportadores procuraram aproveitar uma quota de 1,1 milhões de toneladas antes da entrada em vigor de uma sobretaxa de 55% sobre os volumes que excedam esse limite.













































