O dia 10 de Junho serve hoje de mote para uma ação de promoção em Berna, na Suíça, que junta réplicas de caravelas e vinho do Porto com o objetivo de reforçar vendas e notoriedade neste mercado.
“O mercado suíço tem uma capacidade financeira para acrescentar valor aos produtos portugueses e, portanto, é um dos mercados onde nós estamos a apostar”, afirmou Albino Jorge, da Quinta da Boeira.
Berna, a capital suíça, foi o palco escolhido para a ação de promoção que assinala o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas e une a Quinta da Boeira, a Embaixada de Portugal em Berna e a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP).
Albino Jorge realçou que o mercado suíço tem muito potencial para os vinhos portugueses por ser um mercado por excelência com grande capacidade financeira.
“Neste momento, tem um impacto interessante em termos de imagem. Em termos de quantidade esperámos atingir uma boa performance a partir do terceiro ano, quarto ano. Uma boa performance é vender bem, portanto, pelo preço certo”, frisou.
Em 2025, a exportação global de vinho do Porto para a Suíça atingiu 3,9 milhões de euros (correspondentes a 66 mil caixas exportadas), menos 1,2% do que em 2024.
Em 2020, o país entrou no ‘top 10’ dos principais mercados para o ‘Porto’ (em valor) e caracteriza-se por um preço médio (6,70 euros por litro em 2025), superior ao preço médio global de venda deste vinho (5,73 euros/litro).
“Em maio deste ano, o nosso preço médio situava-se nos 17 euros por litro. Esta é uma área que nós vamos ter que desenvolver mais, perceber quais são os mercados que têm muita capacidade para adquirir os nossos produtos e criar a tal dinâmica diferente que é o que estamos a fazer. Para nós não é a quantidade que conta, mas sim a qualidade”, afirmou Albino Jorge.
O empresário disse que é preciso “aprender a fazer ‘marketing’” neste setor e defendeu que, no caso específico do vinho do Porto, “os vários milhões de euros que os exportadores deixam no Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP), através das taxas, deveriam ser aplicados em ações de ‘marketing’ de alta qualidade”. “É o que nós necessitamos”, afirmou.
Para além da qualidade, o grupo faz ainda uma forte aposta na imagem das garrafas de vinho e de azeite que ajuda a diferenciar os produtos.
A estratégia da Boeira passa pela realização de missões de promoção em mercados nicho. Já esteve na Dinamarca, Inglaterra, Espanha e para o próximo ano está prevista uma passagem pelos Estados Unidos da América.
Em Berna, a iniciativa junta arte, história e vinhos e inclui uma prova de vinhos do Porto antigos, produzidos na Região Demarcada do Douro, uma exposição de réplicas de naus e caravelas dos séculos XV e XVI e uma cerimónia de entronização pela Federação Báquica de Portugal.
É o artesão Albino Costa que cria as réplicas das históricas embarcações portuguesas que começaram por levar “ao mundo” o vinho do Porto.
O antigo pescador construiu mais de duas dezenas de naus e caravelas em 20 anos.
À agência Lusa contou que as embarcações podem ir dos 1,10 aos 2,20 metros de comprimento e que chega a demorar mais de um ano a construir cada uma. E cada uma resultou de um estudo pormenorizado das embarcações associadas aos Descobrimentos portugueses.
Para a Suíça viajaram 10 naus, as mais pequenas. A coleção faz parte do espólio da Quinta da Boeira, que tem em curso um plano de investimentos de 40 milhões desde que adquiriu a quinta em Gaia, em 1999, e que passam pela produção de vinho e de azeite, pela hotelaria, espaços para eventos e promoção da cultura.
Em 2017, a Boeira registou-se no IVDP como exportadora de vinho do Porto, retomando a atividade iniciada em 1850 e, em 2021, adquiriu uma quinta no Douro, em Alijó, com 40 hectares e uma capacidade de produção de meio milhão de litros, num investimento de 1,5 milhões de euros. Mais de 95% da produção destina-se à exportação.















































