A vespa da galha do castanheiro está a afetar severamente algumas zonas do concelho de Bragança, revelaram, hoje, produtores e autarcas, estando previsto, nesta semana, fazer 100 largadas do parasitoide que combate a praga.
Os soutos de algumas zonas das freguesias de Carragosa, Parâmio, Salsas e Serapicos estão com um ataque considerado “severo” da vespa da galha do castanheiro, uma praga que cria galhas nos gomos e nas folhas da árvore, impedindo o seu crescimento e frutificação.
Um castanheiro fortemente afetado significa que mais de metade dos gomos de um só ramo tem vespa.
Virgílio Martins é um dos produtores afetados na aldeia de Vila Boa, freguesia de Serapicos. Tem 50 hectares de castanheiros.
Nesta altura do ano começam a surgir os gomos nas árvores e o agricultor já vê alguns afetados.
“Eu andei a enxertar e aqueles gomos que estão a sair agora estão completamente cheios de vespa (…). A mim, dá-me a impressão que é pior que o ano passado (…) aqui há zonas que é demais”, contou, à Lusa, o produtor.
A vespa da galha do castanheiro foi detetada, pela primeira vez, no distrito de Bragança em 2017.
Não há uma cura para a praga, mas o seu controlo tem sido feito através de largadas do parasitoide ‘Torymus sinensis’, que se instala no castanheiro e se alimenta da vespa.
“No ano passado andaram a pôr [o parasitoide] mas não vejo, a bem dizer, melhoras”, afirmou Virgílio Martins.
À Lusa, Albino Bento, coordenador do Instituto Politécnico de Bragança e responsável pelo combate da praga, adiantou que esta semana começarão a fazer largadas do parasitoide, estando previstas 100 para o concelho de Bragança e outras 100 para o concelho de Vinhais, num protocolo estabelecido com ambos os municípios.
“Continuaremos com ataque elevado, sim. O ano passado foram feitas muitas largadas em toda aquela zona e a ideia será essa, será concentrar as largadas nas aldeias que estão com ataques mais elevados”, explicou.
De acordo com o investigador, este ano prevê-se que o ataque também será severo, nos mesmos locais de 2025, ou seja, “na zona do Parâmio, Zeive, Carragosa, Salsas e Salselas”, embora tenham sido feitas largadas e a taxa de parasitismo seja elevada, ou seja, de 40 a 60% de instalação do parasitoide que se alimenta da vespa.
“A resolução não é logo de um ano para o outro. (…) O inseto não controla logo de um ano para o outro, mas eu creio que estará em condições para o ano seguinte baixar bastante”, esclareceu.
Cada vespa chega a largar entre três a seis ovos por gomos. Nos castanheiros afetados no concelho de Bragança, cada gomo tem, em média, três vespas.
“Nunca me lembro de nada disto. Isto foi só há meia dúzia de anos para cá. (…) Quando foi no princípio, melhorou um bocadinho, mas este ano está-me a parecer que é muito, mas ainda é cedo”, vincou Virgílio Martins.
O presidente da Junta de Freguesia da Carregosa, Élio Vaz, confirmou, à Lusa, que naquela aldeia, “nos castanheiros bravos já se vê as cerejinhas”, ou seja, os gomos afetados, que ficam vermelhos e parecem cerejas.
Ainda segundo o autarca, “não é provável que melhore”, porque, no ano passado, houve um ataque muito elevado e agora há zonas onde “só se veem os casulos” da vespa.
Para esta freguesia estão previstas 10 largadas. Élio Vaz considera que são poucas e, por isso, a junta coloca em cima da mesa a possibilidade de ter de comprar mais. No entanto, é preciso cumprir o critério das largadas, que têm de estar a 500 metros de distância umas das outras.
Nas freguesias de Salsas e Serapicos, a situação não é diferente. “Estão muito afetados. O castanheiro na nossa zona, Salsas, Freixeda, Vila Boa, Serapicos, está muito afetada pela vespa”, reiterou, à Lusa, o presidente da Junta de Freguesia de Salsas, Filipe Caldas.
Devido à vespa da galha do castanheiro, mas também a outras doenças do castanheiro, como a tinta e o cancro, e às alterações climáticas, a produção de castanha teve uma quebra de “50%” nesta zona do concelho de Bragança.
Cerca de 85% da produção de castanha em Portugal é proveniente de Trás-os-Montes. Em anos ditos normais, nos concelhos de Bragança e Vinhais chegam a ser colhidas 25 mil toneladas do fruto.
















































