A Resipinus – Associação da Fileira da Resina manifesta a sua preocupação com o término do Programa “Resineiros Vigilantes”, sem qualquer perspetiva de continuidade, uma iniciativa de apoio à vigilância e deteção de fogos rurais em áreas sob gestão dos resineiros.
Desenvolvido desde 2019 em parceria com o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas e a Resipinus, este programa integrou os resineiros como agentes ativos no Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais (SGIFR), tirando partido da sua presença contínua no território para reforçar a vigilância, a deteção precoce de incêndios e a prevenção de comportamentos derisco.
Os resultados alcançados demonstram a eficácia da medida. Entre 2019 e 2025, o programa mobilizou cerca de 550 vigilantes, assegurou 175 dias de vigilância no terreno durante os períodos de maior risco e permitiu a deteção de 67 incêndios. Tudo isto com um investimento anual na ordem dos 165 mil euros.
Num contexto em que o Estado investe anualmente centenas de milhões de euros no combate aos incêndios rurais, a Resipinus sublinha que este programa representa um custo muito reduzido e atua precisamente na fase mais crítica — a prevenção. A interrupção de uma medida com impacto comprovado levanta, por isso, sérias questões quanto à coerência da estratégia de gestão de fogos rurais.
A decisão surge ainda num ano particularmente sensível, marcado pelo aumento significativo da carga de combustível nas áreas florestais, na sequência das recentes tempestades, e pela previsão de condições meteorológicas adversas durante o verão.
Importa ainda referir que o papel de outros agentes do território, como os pastores, tem vindo a ser reconhecido no âmbito da prevenção de incêndios, precisamente pela sua presença contínua no terreno. Neste contexto, não se compreende a não continuidade de um programa que valoriza uma função semelhante desempenhada pelos resineiros.
Desde a sua criação, o programa contribuiu para integrar os resineiros no modelo de gestão de fogos rurais, reforçando:
• a vigilância na fase de prevenção;
• a capacidade de deteção precoce e primeira intervenção;
• a gestão ativa das áreas de pinheiro-bravo;
• e a sustentabilidade do setor da resina.
A Resipinus sublinha que a presença humana no território continua a ser um dos fatores mais eficazes na redução do risco de incêndio, sendo incompreensível a descontinuação de um programa com resultados concretos e reconhecidos.
Face ao exposto, a associação apela à reavaliação urgente desta decisão e à continuidade de medidas que reforcem a prevenção, especialmente num ano em que todos os indicadores apontam para um aumento do risco.
Fonte: Resipinus
















































