A produção de azeite em Portugal deverá fixar-se em cerca de 160 mil toneladas nesta campanha, abaixo das 175 mil toneladas na anterior, destacou hoje o Centro de Estudos e Promoção do Azeite do Alentejo (CEPAAL).
Num comunicado enviado à agência Lusa, o CEPAAL revelou que o Alentejo se mantém “como o principal polo produtivo nacional” e que a campanha deste ano no país ronda as 160 mil toneladas.
Estes dados, segundo o CEPAAL, refletem “um ajustamento face ao ciclo anterior” e confirmam “a robustez de um setor que, nos últimos anos, registou um crescimento expressivo das exportações (superaram os mil milhões de euros nas campanhas de 2023 e 2024) e que continua a gerar valor mesmo em cenários de menos volume”.
Para o centro de estudos, a modernização dos sistemas de produção, a introdução de tecnologia e o recurso à inteligência artificial (IA) têm permitido “ganhos consistentes de produtividade, maior eficiência no uso de recursos e melhor gestão de risco climático”, viabilizando o produto para novos mercados.
“A valorização do produto, através da diferenciação, da construção de marca e do posicionamento em segmentos ‘premium’, tem sido determinante para sustentar margens e reforçar a presença internacional”, nomeadamente, na Índia, adiantou.
Desta forma, o CEPAAL acredita que o acordo entre a União Europeia e a Índia “configura uma oportunidade estratégica de elevado relevo, sobretudo para Portugal, ao possibilitar a redução de barreiras tarifárias e facilitar o acesso a um mercado de grande escala, com mais de 1,47 mil milhões de consumidores”.
Segundo o presidente do CEPAAL, Manuel Norte Santo, “o setor do azeite em Portugal entrou numa nova escala” com um cariz “mais competitivo, mais tecnológico e claramente mais internacional”, sendo uma das áreas “mais dinâmicas do agroalimentar português”.
A fileira do azeite em Portugal representa “cerca de 700 milhões de euros”, registando “um excedente comercial positivo no arranque de 2026”, assegurou.
Aludindo a dados da Direção-Geral da Agricultura e Desenvolvimento Rural, o CEPAAL revelou que o setor do azeite registou, nos primeiros dois meses deste ano, “um excedente comercial de 92 milhões de euros, apesar de uma redução nas quantidades transacionadas”.
De acordo com o responsável do CEPAAL, o Congresso Nacional do Azeite (CNA) e a Feira Nacional de Olivicultura (FNO), eventos que vão decorrer a partir do próximo dia 07 de maio, em Moura, no distrito de Beja, são um “espaço onde se discutem as decisões que vão moldar” a trajetória desta fileira “nos próximos anos” num “momento particular de muitos desafios, mas também de grandes oportunidades”.
Portugal é já o sexto maior produtor de azeite do mundo, o terceiro maior exportador da Europa e o país que mais produz azeite de maior qualidade a nível mundial, assegurou Manuel Norte Santo.
Os eventos, promovidos pela Câmara de Moura e pelo CEPAAL, vão decorrer, no que toca à feira, no parque municipal de feiras e exposições, entre os dias 07 e 10 de maio, enquanto o congresso terá lugar no cineteatro municipal, no dia 08 de maio.
O seminário reunirá “produtores, especialistas, investigadores e decisores para debater os principais desafios e oportunidades da fileira”, nomeadamente, a eficiência produtiva, a digitalização e a valorização e posicionamento do setor a nível global.
O CNA vai contar com mais de 30 oradores nacionais e internacionais, que vão debater temas como a eficiência e a diversidade no setor, a IA no processo de decisão e a valorização da diferenciação do produto.












































