O setor agrário do regadio do Baixo Limpopo necessita de 454 milhões de meticais (6 milhões de euros) para recuperar das inundações que devastaram mais de sete mil hectares de culturas naquela região do sul de Moçambique.
“Na componente de recuperação produtiva para devolver a capacidade aos produtores que operam no regadio, há necessidade de financiamento para cerca de 7.200 hectares através da abertura de linhas de crédito bonificadas e distribuição de quites de insumos de arranque, principalmente aos produtores do setor familiar, estes que precisam de um financiamento de mais de 137 milhões de meticais [1,8 milhões de euros]”, disse a porta-voz da sétima sessão ordinária do conselho executivo provincial de Gaza, Lúcia Matimele, citada hoje pela comunicação social.
Segundo a responsável, estas as cheias afetaram culturas de mais de 9.00 produtores do regadio do Baixo Limpopo, na província e Gaza, sul do país, explicando que o setor comercial agrário necessita de financiamento em cerca de 327 milhões de meticais (4,3 milhões de euros), totalizando 454 milhões de meticais necessários para este setor fazer face aos impactos das chuvas.
O número de mortos na atual época das chuvas em Moçambique ascende a 311, desde outubro, segundo atualização do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).
De acordo com informação da base de dados do INGD atualizada hoje, foram afetadas 1.071.791 pessoas na presente época das chuvas – que se prolonga ainda até final de abril -, correspondente a 247.470 famílias.
Há também registo de 17 pessoas desaparecidas e 352 feridos.
Só as cheias de janeiro provocaram, pelo menos, 43 mortos, 147 feridos e nove desaparecidos, afetando globalmente 715.803 pessoas, com algumas zonas do sul a registaram em fevereiro e março novas vagas de inundações.
Já a passagem do ciclone Gezani em Inhambane, em 13 e 14 de fevereiro, causou mais quatro mortos e afetou 9.040 pessoas, segundo os dados do INGD.
No total, 29.926 casas ficaram parcialmente destruídas, 15.181 totalmente destruídas e 211.648 inundadas, em toda a presente época chuvosa, até ao momento.
Ao todo, 304 unidades de saúde, 98 locais de culto e 768 escolas foram afetadas em menos de seis meses.
Os dados do INGD indicam ainda que 320.426 hectares de áreas agrícolas foram perdidos, afetando 373.241 agricultores, e 531.657 animais morreram, entre bovinos, caprinos e aves.
Foram ainda afetados nesta época das chuvas 9.516 quilómetros de estradas, 52 pontes e 237 aquedutos.
Desde outubro, o instituto de gestão de desastres moçambicano ativou 198 centros de acomodação, que chegaram a albergar 139.461, dos quais 25 ainda estão ativos, com pelo menos 7.548 pessoas, além do registo de 7.214 pessoas que tiveram de ser resgatadas.















































