Um consórcio europeu com participação portuguesa vai desenvolver novas variedades de batata e arroz mais resilientes às alterações climáticas, num projeto de quatro anos que combina biotecnologia, inteligência artificial (IA) e ciência agrícola para responder a secas, ondas de calor e doenças nas culturas.
O BIOCRAFT, agora lançado oficialmente como projeto EIC Pathfinder no âmbito do Horizonte Europa, o principal programa de investigação e inovação da União Europeia (UE), recebeu 3,81 milhões de euros de financiamento e decorre ao longo de 48 meses. A KPMG Portugal e a SGS Portugal integram o consórcio, coordenado pelo instituto alemão Fraunhofer IME.
A iniciativa responde a um dos desafios mais prementes da agricultura europeia: garantir uma produção agrícola resiliente e sustentável num contexto em que secas, ondas de calor, degradação do solo, salinidade e doenças nas culturas se tornam cada vez mais frequentes. O objetivo é ajudar as culturas a resistir melhor às pressões ambientais e biológicas.
Ao longo do projeto, o consórcio vai desenvolver e validar uma nova geração de variedades de batata e arroz com maior resiliência, produtividade e valor nutricional. O trabalho integra biotecnologia avançada, IA, tecnologias de monitorização de culturas e investigação sobre o microbioma do solo, para melhorar o desempenho das culturas, reforçar a tolerância ao stresse e promover um uso mais eficiente dos recursos naturais.
Em paralelo, o BIOCRAFT vai explorar abordagens de biofabricação baseadas em plantas, posicionando as culturas agrícolas como biofábricas para a produção de biomoléculas de elevado valor acrescentado. Segundo o consórcio, estas atividades deverão criar novas oportunidades para a biotecnologia europeia e contribuir para a transição para uma bioeconomia mais sustentável.
Para Stefan Schillberg, coordenador do projeto no Fraunhofer IME, as alterações climáticas estão a criar “desafios urgentes para a produção agrícola e a segurança alimentar em toda a Europa”. O responsável refere que o projeto desenvolve soluções para ajudar as culturas a resistir às pressões ambientais, abrindo ao mesmo tempo “novas oportunidades para a biofabricação sustentável”.
Além do Fraunhofer IME e das duas empresas portuguesas, o consórcio que vai trabalhar nas novas variedades de batata e arroz integra a IRIS Technology Solutions, a Agrotecnio, a ADV Arròs de Pals e a Universidade Pública de Navarra, de Espanha, e a SA.PI.SE. Società Agricola, de Itália, num total de quatro Estados-Membros da UE.
O projeto vai ainda abordar as dimensões regulatória, ambiental e social das tecnologias agrícolas de nova geração, com vista ao seu desenvolvimento responsável e à futura adoção na Europa.
O artigo foi publicado originalmente em Vida Rural.














































