As culturas lenhosas mediterrânicas destacam-se pelo equilíbrio entre rentabilidade, estabilidade de mercado e adaptação climática
O regadio intensivo (abacate, citrinos e frutos vermelhos) oferece maiores receitas por hectare, mas com maior risco hídrico e exigência técnica
O mercado de quintas rústicas produtivas registou um crescimento de 72% no volume de anúncios em 2025, com clara preferência pela segurança hídrica e propriedades sustentáveis que rodam mais rápido
O setor agrícola português consolida-se como um mercado estratégico para o investimento. Segundo o Relatório sobre Culturas mais Rentáveis e Sustentáveis em Portugal, elaborado pela Cocampo – a plataforma de anúncios especializada na venda e arrendamento de fincas rústicas, a combinação de práticas sustentáveis, adoção tecnológica e uma clara orientação para culturas de alto valor acrescentado está a transformar o mapa agrícola do país.
Num contexto de transição para a eficiência produtiva, o relatório sublinha que a escolha da cultura e a sua perfeita adequação territorial são os fatores determinantes para garantir rentabilidade e resiliência climática.
O equilíbrio das culturas lenhosas
A análise posiciona as lenhosas mediterrânicas — olival, vinha de qualidade e frutos secos como amendoeira e pistácio — como as culturas com melhor equilíbrio para o investidor.
Estes produtos beneficiam de uma procura global sólida e registam uma melhoria progressiva nos retornos históricos. A modernização, especialmente através de sistemas superintensivos, permite acelerar a recuperação do investimento com mecanização da colheita e otimização de custos, além de oferecer maior resiliência ao stress hídrico.
Fruticultura de alta margem: receitas e desafios
Para projetos com elevada capacidade técnica, o relatório indica que o abacate, os citrinos e os frutos vermelhos (mirtilos, framboesas e morangos) apresentam as maiores receitas potenciais por hectare.
Contudo, o sucesso destes modelos depende de disponibilidade garantida de água e de uma infraestrutura logística exigente, dada a perecibilidade dos frutos.
Dinamismo do mercado de quintas rústicas
Os dados internos da plataforma Cocampo revelam um forte dinamismo nas quintas rústicas com vocação produtiva. Em 2025 registou-se um crescimento de 72% no volume de anúncios face ao ano anterior.
A oferta concentra-se especialmente no Algarve (44,6%), Norte (14,9%), Centro (10,9%) e Alentejo (6,8%). Cerca de 48% das propriedades apresentam condições ideais para olival intensivo ou superintensivo, 18% para vinha de qualidade, 15% para frutos secos e um crescente 12% para frutos vermelhos e abacate em zonas com regadio consolidado.
A procura privilegia claramente a segurança hídrica: as pesquisas de fincas com direitos de água ou regadio aumentaram 32%. As propriedades com características sustentáveis rodam 22% mais rápido no mercado.
“A agricultura em Portugal deixou de ser uma atividade tradicional para se tornar num setor onde convergem a tecnologia de precisão e a sustentabilidade. O que realmente importa já não é apenas produzir, mas otimizar o uso da água e a saúde do solo para que cada exploração seja um ativo valioso a longo prazo”, concluem da Cocampo.
Fonte: Cocampo
















































