A Frusoal apresentou o Laboratório InovCitrus, um centro de investigação dedicado à citricultura que arranca com um projeto de três anos sobre o tripes dos citrinos da África do Sul, praga de quarentena que soma 106 zonas demarcadas no Algarve.
O laboratório, apresentado na passada sexta-feira (23 de outubro) em Tavira, representa um investimento de 515 mil euros e destina-se às culturas dos sócios produtores de citrinos da organização.
Classificado como praga de quarentena na União Europeia (UE), o Scirtothrips aurantii foi detetado pela primeira vez em Portugal em dezembro de 2022, no concelho de Tavira. Desde então, as zonas demarcadas têm aumentado: em janeiro de 2026, a DGAV contabilizava no Algarve 106 zonas demarcadas para esta espécie, além de cinco para Scirtothrips dorsalis e duas com a presença de ambas.
O tripes alimenta-se de tecidos jovens, como rebentos, folhas e frutos em desenvolvimento, e provoca cicatrizes na epiderme do fruto, junto ao pedúnculo. Os danos são sobretudo estéticos, mas podem tornar o fruto não conforme para comercialização em fresco. Segundo a Frusoal, os prejuízos para os produtores podem ultrapassar os 50%, quando habitualmente rondam os 20%, sobretudo em lima e limão.
Com ovos de menos de 0,2 milímetros e adultos de cerca de um milímetro, a identificação do inseto exige lupas e microscópios de elevada ampliação. A literatura científica sobre a espécie no contexto europeu continua escassa, lacuna a que o projeto pretende responder.
Ao longo do triénio 2026/28, o estudo vai avaliar a dinâmica populacional da praga em pomares de citrinos do Algarve, em laranja, tangerina, limão e lima. Serão analisados fatores como a fenologia das culturas, as condições edafoclimáticas, as infestantes presentes no pomar e os usos do solo adjacentes, com os dados recolhidos a servirem de base ao desenvolvimento de estratégias de proteção mais eficazes e sustentáveis.
“Há três anos que a citricultura algarvia convive com uma praga sobre a qual sabemos ainda muito pouco. O InovCitrus nasce para transformar essa falta de conhecimento em decisões práticas e eficazes para os nossos produtores”, afirma Tomás Magalhães, técnico responsável pelo projeto.
A iniciativa é desenvolvida em colaboração com o InnovPlantProtect, entidade especializada em entomologia agrícola, com o apoio do Centro de Experimentação Agrária de Tavira (CCDR Algarve) e a coordenação da equipa técnica da Frusoal. As atividades vão decorrer em pomares da organização e dos seus associados e em campos do Centro de Experimentação Agrária. O projeto integra o Objetivo I&D do 9.º Programa Operacional da Frusoal para 2026/28, enquadrado nas prioridades de investigação e desenvolvimento do novo PEPAC.
Além do combate a pragas e doenças, o laboratório tem como objetivos encontrar novos aproveitamentos para subprodutos e estudar métodos e práticas de cultivo que contribuam para uma agricultura mais sustentável. “Queremos um laboratório com os pés nos pomares”, afirma João Duarte, diretor financeiro da Frusoal, sublinhando a articulação com o sistema científico regional e nacional e a orientação prática para quem produz.
O artigo foi publicado originalmente em Vida Rural.















































