A Rede Nacional PAC acaba de publicar o 6º episódio do seu podcast oficial, “Em Rede”, dedicado a explorar de que forma a inovação tecnológica e a digitalização estão a transformar o setor agroflorestal em Portugal. Sob o mote “A inovação é a semente do futuro agrícola!”, a conversa junta Custódia Correia, coordenadora da Rede Nacional PAC, a Luís Alcino, coordenador do Centro de CompetênciasInovTechAgro.
A emissão aprofunda a missão deste Centro de Competências — que celebra em setembro o seu sexto aniversário —, os principais desafios da modernização no terreno e as soluções tecnológicas que estão a moldar uma agricultura mais inteligente, competitiva e sustentável.
Os Desafios da Digitalização e o Papel da Inteligência Artificial
Nascido da junção de competências transversais como a mecanização agrícola, a agricultura de precisão e, mais recentemente, a digitalização, o InovTechAgro reúne hoje cerca de 70 entidades do ecossistema científico e tecnológico nacional.
Durante a conversa, Luís Alcino apontou que o ritmo acelerado da tecnologia traz desafios constantes na validação e adaptação das ferramentas ao setor produtivo. Com a proliferação de robôs agrícolas, sensores avançados e drones, o maior obstáculo para os empresários agrícolas já não é a recolha de informação, mas sim o seu tratamento e aplicação prática: “O que é que eu faço a estes dados? […] É aqui que está a Inteligência Artificial”, sublinhou o coordenador.
A Inteligência Artificial surge assim como a grande alavanca da atualidade, permitindo transformar dados complexos em apoios diretos à decisão, ajudando a mitigar os impactos de contextos globais adversos — desde crises energéticas e logísticas a eventos climáticos extremos.
Do Ensino Agrário à Renovação Geracional
Um dos pontos altos do episódio foca-se na atratividade do setor para as novas gerações e na urgência de adaptar o ensino superior e profissional da agronomia. Os intervenientes debateram a necessidade de cruzar os conhecimentos tradicionais de agronomia com áreas tecnológicas de ponta, como a mecatrónica, a eletrónica e a ciência de dados.
Para Luís Alcino, as instituições de ensino devem caminhar para modelos mais flexíveis e híbridos, capazes de atrair tanto os jovens digitalizados como os profissionais no ativo que necessitam de requalificação: “Temos que casar estas competências se quisermos renovar os currículos, mantê-los atualizados face àquilo que acontece no dia a dia do agricultor, e termos técnicos capazes”, defendeu.
Ao longo dos últimos anos, o centro tem apostado fortemente na transferência de conhecimento através de ações práticas, destacando-se:
- A realização de cursos de formação regulamentados (como as formações de 35 horas em agricultura de precisão, que já certificaram cerca de 500 operadores);
- A organização de oficinas de automação e jornadas de campo com demonstrações reais de tecnologia;
- A participação em projetos de investigação no âmbito do PRR, focados desde a produção hortofrutícola até ao setor pecuário.
Ouça o episódio completo aqui
O artigo foi publicado originalmente em Rede Rural Nacional.













































