Vimos por este meio dar conhecimento de mais um ataque de lobo ibérico, ocorrido no dia 3 de novembro de 2026, em Vales de Jales, Vila Pouca de Aguiar, do qual resultou a morte de 10 ovelhas.
Este ataque ocorre precisamente no dia em que a Senhora Ministra anuncia que 85% dos autos de prejuízos declarados se encontram concluídos. No entanto, o que não é esclarecido é quantos desses processos foram recusados e quantos resultaram em indemnizações que estão longe de cobrir o verdadeiro prejuízo dos criadores. Temos conhecimento de situações em que são atribuídos apenas 40 € por ovelha, valores que consideramos manifestamente insuficientes.
No caso agora denunciado, importa salientar que o criador possuía cães de proteção e os animais encontravam-se dentro de um cercado. Perante isto, questionamos: que mais se exige aos criadores para protegerem os seus animais? E por que motivo, mesmo quando existem medidas de proteção, os prejuízos não são indemnizados pela totalidade do valor real dos animais?
Outra das medidas anunciadas passa por aumentar a disponibilidade de alimento para os lobos, nomeadamente através da existência de presas selvagens. Mas questionamos: de que forma se garante que esta medida irá reduzir efetivamente os ataques aos animais domésticos?
O lobo é um predador oportunista e, perante presas domésticas mais vulneráveis, poderá continuar a optar por estas em vez de perseguir animais selvagens que oferecem maior resistência e risco de ferimentos.
Temos o exemplo da cabra-montês no Parque Nacional da Peneda-Gerês, onde existem populações desta espécie em áreas com presença de lobo. Contudo, a existência destas presas selvagens não significa que os ataques aos animais domésticos deixem de ocorrer. Pelo contrário, os criadores continuam a relatar perdas significativas nos seus rebanhos.
Se a existência de presas selvagens fosse, por si só, suficiente para evitar os ataques, como se explica que estes continuem a ocorrer em territórios onde essas presas já existem?
É precisamente este tipo de questões que consideramos necessário esclarecer antes de continuar a anunciar medidas que, ao longo dos anos, têm sido apresentadas sem demonstração de resultados suficientes para os criadores.
Não podemos continuar a ouvir as mesmas soluções, ano após ano, enquanto os nossos animais continuam a morrer.
Importa também deixar uma mensagem muito clara: os criadores não querem viver de indemnizações. Querem que os seus animais não sejam atacados. Nenhuma compensação financeira substitui o trabalho de anos, o valor genético e reprodutivo dos animais, nem o esforço diário de quem mantém estas explorações em funcionamento.
Este caso junta-se aos muitos ataques que têm vindo a ser registados em várias regiões do Norte de Portugal, causando elevados prejuízos económicos e colocando em causa a continuidade das explorações agropastoris, fundamentais para a preservação do mundo rural, das raças autóctones e para a gestão da paisagem.
Em anexo seguem fotografias e os restantes elementos disponíveis relativos a esta ocorrência.
O problema não se resolve apenas pagando os animais depois de mortos. Resolve-se evitando que sejam mortos.
Fonte: UPGALL
















































