A cultura do mirtilo em Portugal tem registado um crescimento significativo nos últimos anos. No entanto, uma parte relevante da colheita não cumpre os requisitos necessários para comercialização em fresco, sobretudo ao nível do estado de maturação e calibre. Dependendo das suas características, estes frutos são encaminhados para a indústria de transformação ou para a alimentação animal. Designados por mirtilos de refugo, representam perdas económicas para os produtores.
É neste contexto que surge o projeto InovBlueValue – Estratégia de Valorização Sustentável da Cadeia de Valor do Mirtilo, iniciado em janeiro de 2026. A iniciativa tem como objetivo transformar os mirtilos de refugo em produtos de valor acrescentado, sustentáveis e com viabilidade industrial.
Extrato bioativo e snack sem glúten: as apostas do projeto.
O projeto prevê o desenvolvimento de dois produtos principais. O primeiro é um extrato multifuncional rico em compostos bioativos, com propriedades corantes e antioxidantes, com possibilidade de aplicação em pastelaria industrial. O segundo é um snack sem glúten, enriquecido com pó de mirtilo e com o próprio extrato.
Para alcançar estes resultados, a equipa irá estudar diferentes categorias de mirtilos de refugo, otimizar os processos de extração e de estabilização do extrato, otimizar a produção do snack através da tecnologia de extrusão e, ainda, avaliar as suas características ao longo do tempo de prateleira. Está também prevista a validação do extrato em produtos de pastelaria, numa escala de produção industrialmente relevante.
“O InovBlueValue permite considerar os mirtilos de refugo não como uma perda, mas sim como uma matéria-prima com potencial para gerar inovação e novos produtos. O objetivo é conferir valor acrescentado a um recurso encaminhado para alimentação animal, contribuindo, assim, para a sustentabilidade da cadeia de valor do mirtilo”, refere Tadeu Alves, administrador da GREEN FACTOR, SA, entidade líder do projeto.
Um consórcio entre academia e indústria
Cofinanciado pelo NORTE 2030, o projeto é liderado pela GREEN FACTOR e integra, ainda, o Instituto Politécnico de Bragança, o MORE CoLAB – Laboratório Colaborativo Montanhas de Investigação e a Tecpan – Tecnologia e Produtos de Pastelaria e Panificação, Lda. O consórcio reúne competências complementares nas áreas de investigação, desenvolvimento tecnológico e aplicação industrial, essenciais para alcançar os objetivos definidos.
Para além do desenvolvimento de produtos, o projeto InovBlueValue contempla ações de demonstração e disseminação de resultados, com o objetivo de reforçar a ligação entre o sistema científico e o tecido empresarial e promover a transferência de conhecimento para a indústria. A conclusão do projeto está programada para dezembro de 2028.
Fonte: InovBlueValue












































