Os criadores de Merino Precoce de Portugal, Espanha e França vão passar a contar com uma representação europeia da raça. O protocolo de cooperação que a formaliza foi assinado no dia 3 de setembro, na Feira da Luz, em Montemor-o-Novo. O objetivo é unir os criadores dos três países e devolver à raça a importância histórica e genética que sempre representou, de acordo com a associação.
A iniciativa surge numa altura em que o efetivo de Merino Precoce tem vindo a diminuir. Por ser considerada uma raça não autóctone, não beneficia do enquadramento de apoio à conservação atribuído às raças autóctones, uma situação que os criadores consideram inadequada e que a nova estrutura pretende levar às instituições europeias.
Para Mário Mendes, presidente da APCORMP, este é um momento crucial na preservação e valorização da raça. “Esta cooperação permitirá trabalhar em várias áreas, nomeadamente na conservação e seleção genética, na troca de conhecimentos e experiências entre criadores, na valorização da raça e na procura de mecanismos de apoio que contribuam para a sua continuidade”, afirma.
O Merino surgiu na Península Ibérica e o Merino Precoce resulta de um processo de seleção e melhoramento desenvolvido em França, a partir de animais de origem espanhola, que mais tarde contribuiu para o apuramento genético dos efetivos existentes em Portugal e Espanha. “Consideramos fundamental uma aproximação aos criadores espanhóis, portugueses e franceses, reforçando a cooperação entre os três países que estão diretamente ligados à história e evolução desta raça”, afirma Francisco Santa-Bárbara, secretário técnico da raça.
Os primeiros animais chegaram a Portugal em 1931 e a raça teve depois um papel relevante como melhoradora dos efetivos Merino já existentes, apurando características como o desenvolvimento, a precocidade e a conformação. Ao mesmo tempo, mantém rusticidade e capacidade de adaptação às condições do território e aos recursos alimentares disponíveis, além de uma maior flexibilidade na programação da reprodução face a outras raças e de uma dupla aptidão produtiva de carne e lã.
O presidente da APCORMP considera ainda que o protocolo ajudará a mostrar as vantagens de ser associado, por significar a integração numa estrutura que trabalha na seleção e valorização da raça, no funcionamento do Livro Genealógico e, a partir de agora, na cooperação entre criadores dos três países.
“Precisamos, por isso, de novos criadores e, sobretudo, de pessoas que vejam no Merino Precoce, não apenas, uma raça histórica que importa preservar, mas uma raça com valor produtivo e com futuro”, acrescenta o secretário técnico da raça.
O artigo foi publicado originalmente em Vida Rural.














































