João Ponte: Caçadores nos Açores são “verdadeiros vigilantes da natureza em regime de voluntariado”

O secretário Regional da Agricultura e Florestas afirmou hoje, 29 de Fevereiro, na Ilha Terceira, que os caçadores são “verdadeiros vigilantes da natureza em regime de voluntariado”, salientando que o futuro da caça nos Açores assenta num compromisso partilhado entre Governo, associações e caçadores para continuar a administrar bem os recursos cinegéticos e garantir às gerações futuras a sustentabilidade desta importante actividade lúdica.

“Os caçadores têm uma profunda ligação com o ambiente e o meio rural. São verdadeiros vigilantes da natureza em regime de voluntariado, que, desde logo, interiorizaram que é preciso saber caçar, conciliando a ciência, o fomento das espécies e as preocupações sanitárias”, referiu João Ponte, acrescentando que são, por isso mesmo, parceiros privilegiados do Governo dos Açores na implementação da estratégia cinegética.

II Fórum da Caça

O governante falava, em Angra do Heroísmo, na abertura do II Fórum da Caça, sob a temática da sustentabilidade e dos desafios futuros, que reúne vários especialistas regionais e nacionais.

O secretário Regional frisou que a caça é uma actividade com tradição nos Açores e que tem múltiplos impactos na Região, desde logo ao nível ambiental, agrícola e económico, defendendo a importância de continuar a existir uma estreita colaboração e articulação entre o Governo dos Açores, os caçadores e as associações representativas dos caçadores, de defesa do ambiente e da agricultura “para garantirmos a preservação e a sustentabilidade dos recursos cinegéticos em respeito pelos princípios da conservação da natureza e do equilíbrio biológico”.

Por outro lado, João Ponte considerou essencial ter associações de caçadores “bem estruturadas, pro-activas, proponentes”, que contribuam para o aprofundamento da reflexão e consigam transmitir aos seus associados a necessidade de contribuir para a sustentabilidade da caça na Região, bem como trabalhar em conjunto para melhorar a comunicação sobre a importância da caça e a valorização do papel do caçador, sobretudo junto das camadas mais jovens da população.

Controlo dos níveis de abundância das espécies cinegéticas

O secretário Regional salientou que a caça é “um instrumento eficaz e fundamental para o controlo dos níveis de abundância das espécies cinegéticas”, passíveis de poderem causar prejuízos na agricultura, na floresta e na flora endémica, mas importa tudo continuar a fazer para “zelar por uma conduta de responsabilidade, bom senso e com uma gestão equilibrada dos recursos cinegéticos”.

“É o que temos feito, através dos cadernos venatórios, anualmente ajustados à realidade de cada ilha, procurando sempre basear a decisão política sobre estas matérias em estudos científicos sobre a biologia e a ecologia das espécies cinegéticas, bem como nos resultados da monitorização regular, que permite perceber as variações na abundância das suas populações e direccionar o esforço de caça para onde ele é necessário”, assegurou João Ponte.

Caça e turismo

Na intervenção na sessão de abertura deste fórum, João Ponte afirmou ainda que caça é cada vez mais associada ao turismo, fruto da maior mobilidade de caçadores entre ilhas nos últimos anos, o que constitui uma nova e importante vertente, pelo que representa em termos económicos e criação de riqueza em zonas rurais.

Nos Açores estão devidamente habilitados a caçar mais de 4.000 caçadores.

Agricultura e Mar Actual

O artigo foi publicado originalmente em Agricultura e Mar.

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