Fito-Entrevista a Vítor Hugo Teixeira no âmbito do Fórum Smart Farm 2019.

Fito-Entrevista a Vítor Hugo Teixeira no âmbito do Fórum Smart Farm 2019.

1. Sabemos o que comemos ou estamos cada vez mais confusos devido ao excesso de informação? Quem, na sua opinião, deve ditar as “regras” do que devemos ou não consumir?

Desde o último inquérito alimentar nacional, cada vez sabemos mais e melhor o que os portugueses comem. A questão é se compreendemos mais e melhor o impacto do que aquilo que comemos tem na nossa saúde. E aqui, devemos considerar que as ciências da nutrição são relativamente recentes, apesar da exuberância da investigação nos últimos anos. Além disso, e mais importante, é uma área em que estudar os efeitos de nutrimentos ou alimentos é extraordinariamente difícil.

É paradoxal que nesta era de tanta informação as pessoas se sintam desorientadas. Neste contexto, é fundamental que as pessoas prefiram fontes de informação credíveis, como universidades, instituições de saúde, centros de investigação, etc. Também há muitos bons profissionais que emitem recomendações muito acertadas e assertivas sobre os mais diversos tópicos em fóruns mais consultados pela população em geral (redes sociais). A questão é que neste meio também há muito mais “lixo” científico e torna-se mais difícil para um leigo na matéria distinguir o que é credível do que não é.

2. Numa entrevista sua, afirmou que “A nutrição não é “binária”, nem matemática. É necessário tempo para se chegar a conclusões”. Como se cruza esta ideia com a rapidez com que se criam os mitos na alimentação?

É, como referi, muito difícil determinar – e sobretudo isolar – o impacto de nutrimentos ou alimentos na saúde. Isto justifica-se, entre outros, por ser complicado fazer investigações “cegas” para investigadores e pacientes com alimentos, pela variabilidade biológica de alimentos e genética dos indivíduos, e pelo tempo de estudo necessário para a ligação entre determinado alimento ou nutrimento e a ocorrência de algumas patologias, por exemplo. Acresce que os resultados não são, frequentemente, “preto ou branco”, mas cinzentos mais ou menos matizados. A solução passa por acumular estudos até se poder fazer uma leitura global (as chamadas meta-análises), que diminuem o erro de interpretação.

Para isto, como se percebe, é necessário mais tempo do que a voracidade por notícias reclama. Esta é uma das razões das informações aparentemente contraditórias entre profissionais de saúde: uns são mais cautelosos e aguardam a solidificação da prova científica, ao passo que outros não resistem à tentação de serem os primeiros a darem respostas, ainda que suficientemente infundadas.

3. Do seu ponto de vista, enquanto nutricionista, selecione os 3 mitos mais “flagrantes” na alimentação em Portugal?

É difícil nomear apenas 3, pois há muitos candidatos. Mas escolho a dieta do pH, a dieta detox e a dieta do paleolítico.

4. Quais os principais desafios da alimentação nos próximos 10 anos?

Garantir alimentação para uma população mundial crescente sem o menor impacto possível no ambiente, continuar a combater os mitos alimentares e atenuar a guerrilha e o entrincheiramento de sub-grupos extremistas de alguns tipos de alimentação.

Comente este artigo

O artigo foi publicado originalmente em Anipla - fitoentrevista .

Anterior Equipa do Instituto Superior de Agronomia vence 24H Syngenta 2019
Próximo Criadores de novas variedades de uva formam aliança contra culturas ilegais

Artigos relacionados

Nacional

Governo dos Açores promove alterações no POSEI para travar produção de leite

O secretário regional da Agricultura anunciou esta quinta-feira um conjunto de medidas para a fileira do leite nos Açores, entre as quais alterações ao programa comunitário POSEI, […]

Notícias PAC pós 2020

Las ayudas de la PAC para 2020 podrían sufrir recortes


Las ayudas directas de la PAC que los agricultores y ganaderos beneficiarios solicitarán a principios de 2020 y que se pagarán a partir del 16 de octubre podrían sufrir un recorte, […]

Nacional

Caldas da Rainha recebe conferência sobre estatuto da agricultura familiar

Tem lugar na tarde de hoje, 12 de Julho, no auditório da Comunidade Intermunicipal do Oeste, […]