Maria Dornelas, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, que é uma das co-autoras, explica que este estudo “vai aprofundar o conhecimento sobre as mudanças na diversidade”;
Mais de 60 mil populações de 2362 espécies foram monitorizadas – conclusões serão fundamentais para ações de conservação.
Um maior risco de extinção está associado a uma maior fragilização local das espécies, conclui estudo internacional que conta com a participação portuguesa de Maria Dornelas, co-autora da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. O estudo é liderado pela School of Biology, da Universidade de St Andrews (Escócia) e acaba de ser publicado na Nature Communications.
O estudo levado a cabo por uma série de especialistas de diferentes nacionalidades, analisou mais de 60 000 populações de 2362 espécies distribuídas por 978 comunidades marinhas e terrestres. Estas populações foram monitorizadas de forma sistemática ao longo de, pelo menos, 20 anos.
A investigação baseia-se na análise de uma das mais abrangentes bases de dados de longo prazo alguma vez criadas — a BioTIME — uma ferramenta de referência para o estudo das alterações na biodiversidade, desenvolvida pela Universidade de St Andrews e que conta com o contributo direto de Maria Dornelas. A análise ao nível das comunidades permite quantificar de forma sistemática as alterações ao longo do tempo em múltiplas espécies e populações, bem como identificar aquelas que apresentam melhor ou pior desempenho, ou seja, distinguir “vencedores e perdedores” no contexto de mudanças globais em curso.
Maria Dornelas, Professora da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e Investigadora no MARE/ARNET conclui: “Dado que a tarefa de avaliar as alterações na biodiversidade é enorme e não é possível recolher dados retrospetivos para o passado, procuramos maximizar o uso de toda a informação disponível. Estas duas grandes bases de dados de biodiversidade apresentam apenas uma sobreposição limitada, e este estudo demonstra como podem ser usadas em conjunto para aprofundar o conhecimento sobre as mudanças na biodiversidade.”
Esta é a primeira vez que se avalia se existe um sinal consistente entre as tendências temporais das populações e o risco de extinção das espécies, usando dados de monitorização das comunidades em vez de avaliações específicas por espécie. Os resultados mostram uma associação clara: quando uma espécie está cada vez menos presente nas comunidades monitorizadas ano após ano, o seu risco de extinção tende a aumentar.
Fonte: Faculdade Ciências da Universidade de Lisboa











































