Um novo estudo sugere que um fungo geneticamente modificado pode ser uma ferramenta segura e eficaz para controlar mosquitos transmissores da malária. Os investigadores recomendam, no entanto, uma aplicação cautelosa e faseada.
✍️ Carla Amaro / CiB
Um grupo de especialistas concluiu que a utilização de um fungo geneticamente modificado poderá representar um risco reduzido para o ambiente e uma oportunidade promissora no combate à malária. O estudo, conduzido no Burkina Faso, avaliou a possível libertação de uma estirpe modificada do fungo Metarhizium pingshaense (Mp-Hybrid), concebida para infetar mosquitos que transmitem a doença.
A investigação surge num contexto de desafios crescentes no controlo da malária, nomeadamente a resistência dos mosquitos a inseticidas e alterações no seu comportamento, que dificultam as estratégias tradicionais de combate.
No total, 19 especialistas analisaram 30 fatores de risco, incluindo perigos biológicos, formas de transmissão, riscos operacionais e impactos socioeconómicos. Os resultados indicam que o risco global associado à libertação do Mp-Hybrid é baixo. Além disso, o fungo demonstrou uma elevada capacidade de infetar os mosquitos vetores da malária, reforçando o seu potencial como ferramenta de controlo.
O estudo também revelou diferenças na perceção do risco: participantes sem especialização técnica atribuíram níveis de gravidade mais elevados em comparação com especialistas, evidenciando a importância da comunicação científica e do envolvimento público.
Apesar dos resultados encorajadores, os investigadores alertam para algumas incertezas, sobretudo no que diz respeito aos efeitos ecológicos e epidemiológicos a longo prazo. Por isso, recomendam que a implementação desta tecnologia seja feita de forma gradual, com monitorização rigorosa, supervisão regulamentar e envolvimento das comunidades locais.
Os autores concluem que o Mp-Hybrid poderá vir a complementar as estratégias existentes de controlo da malária, contribuindo para reduzir a propagação da doença de forma sustentável.
Leia o abstract no Journal of Advances in Biology & Biotechnology.
O artigo foi publicado originalmente em CiB – Centro de Informação de Biotecnologia.
















































