Macário Correia, nomeado presidente da AdP Aqua, empresa recentemente criada, que terá como missão a implementação da Estratégia Água que Une. Em entrevista, defende que este projeto tem de ter uma visão de décadas. Melhorar infraestruturas existentes está entre as prioridades. Macário Correia adianta que a empresa poderá financiar-se autonomamente e assim que a administração tomar posse, serão iniciadas negociações com o Banco Europeu de Investimento.
Quando toma posse formalmente?
Conto que tal ocorra no final de maio, na última semana.
Quando será publicado o quadro legal da AdP Aqua?
Será publicado nos próximos dias: Uma Resolução do Conselho de Ministros a aprovar a Estratégia Água que Une. Um Decreto-lei definindo o objeto da AQUA SA e uma Portaria aprovando os seus Estatutos.
Já tem equipa definida? Qual será o modelo de gestão da AdP Aqua/Estratégia que une?
A equipa terá quatro Administradores Executivos – eu, a engenheira Alexandra Serra e mais um elemento das Finanças e outro da Agricultura – e três Administradores Não Executivos, que por inerência são o Presidente da APA, o Diretor-Geral da DGADR e o Presidente da EDIA (Alqueva). A AdP Aqua terá sede nas instalações do grupo Águas de Portugal e será uma empresa aberta a capital privado.
A AdP Aqua vai estar trabalhar diretamente com o gabinete do Primeiro-ministro ou com os ministérios da Agricultura e Ambiente?
Trabalha com os ministros do Ambiente e da Agricultura em relação direta, mas com todo o Governo conforme os casos.
A AdP Aqua terá um papel estratégico e de coordenação ou também de execução de obra?
Tem os dois. Por um lado, coordena tudo o que tem a ver com a Água que Une e executa aquilo que não tiver outros executantes no terreno.
A Aqua assumirá projetos sem promotor definido, como Girabolhos ou Alvito? E como se articulará nos projetos em que já existem promotores como as associações de regantes e EDIA no caso de projetos?
A Aqua fará com que existam promotores para esses e outros projetos, caso não seja possível, será ela a arrancar e a assumir a sua execução. Nas associações de regantes não existem muitas condições financeiras para grandes investimentos. A EDIA tem outras condições e irá com a sua ação por diante, naturalmente.
Temos na Aqua muito trabalho de engenharia financeira, com apenas um administrador consagrado a isso.
Como serão financiados os projetos de fins múltiplos sem financiamento ainda definido? Fundos europeus, BEI ou ambos?
Temos na Aqua muito trabalho de engenharia financeira, com apenas um administrador consagrado a isso. E depois muita engenharia civil e alguma diplomacia e muita sensibilidade ambiental. A Aqua é uma empresa de gestão ambiental e não um mero empreiteiro insensível aos valores naturais e à sociologia do território.
Quando arrancam as negociações com o Banco Europeu de Investimento (BEI) para financiar projetos sem fonte de financiamento assegurada?
No dia em que a Administração tomar posse. Eu tenho essa preocupação e o Governo também. Temos de mobilizar muito dinheiro para esta grande prioridade política e para este desafio essencial para a próxima década.
A AdP Aqua, sendo uma empresa dentro do grupo Águas de Portugal, pode financiar-se autonomamente?
Pode. Todavia, isso será feito com a ponderação de todo o grupo e em estreita articulação com o Governo.
Quais serão as primeiras barragens a avançar e que critérios definirão as prioridades de calendarização?
Aquelas que estão definidas na Estratégia Água que Une. Mas, em primeiro lugar, temos de fazer muito trabalho de melhoria de gestão da água. Ou seja, fazer barragens para lançar água em tubos e canais rotos seria inadmissível. Temos muito trabalho para melhorar a gestão da água já disponível. As câmaras municipais, e outros, terão de ser ajudados a reduzir perdas. As barragens terão de ser pensadas para fins múltiplos: produção de energia renovável, proteção civil, solidariedade entre regiões, fatores ambientais, produção alimentar, recreio e turismo, entre outros. Não estamos com um pensamento do século passado. Temos de pensar no futuro.
Em primeiro lugar, temos de fazer muito trabalho de melhoria de gestão da água. Ou seja, fazer barragens para lançar água em tubos e canais rotos seria inadmissível.
Que prioridade vai dar às interligações entre bacias, como Tejo-Guadiana e Sado-Mira?
Serão feitas conforme a Estratégia define. Todavia do Sado para o Mira, não será por aí a solução, talvez do Guadiana sim.
Haverá mecanismos públicos de monitorização e consulta, como dashboards e um conselho consultivo agrícola?
Estamos ainda a pensar nisso. Sim, teremos um trabalho de auscultação permanente de muitos outros agentes, associações empresariais, ambientais e agentes políticos como autarcas e outros. A Água que Une deve ser um desígnio nacional e consensual entre legislaturas. Sem isso não se irá pelo caminho certo. Queremos consensos e não confrontos políticos ou ambientais.
O atual cenário de abundância de água pode reduzir a urgência política do Água que Une?
Não, pelo contrário. É o tempo certo para tomar decisões que já possam ajudar a combater a próxima seca que não demorará por certo.
Fonte: Agroportal Redacção/ Sara Pelicano















































