A Eurodeputada do CDS-PP, Ana Miguel Pedro, questionou a Comissão Europeia sobre o impacto da instabilidade geopolítica no abastecimento alimentar da União Europeia, alertando para os riscos associados às perturbações nas cadeias globais de fertilizantes e ao aumento dos custos de produção agrícola, numa fase particularmente sensível do calendário agrícola.
Recordando que cerca de metade da produção alimentar mundial depende da utilização de fertilizantes, Ana Miguel Pedro quis saber que medidas concretas estão previstas para proteger os agricultores europeus face ao aumento dos preços e assegurar o acesso atempado a estes factores de produção essenciais. A eurodeputada alertou ainda para o risco de perturbações no abastecimento e para o impacto que estas dinâmicas poderão ter na produção agrícola e na estabilidade dos mercados alimentares da União Europeia.
Na resposta enviada à eurodeputada, o Comissário Europeu para a Agricultura, Christophe Hansen, reconheceu que a actual instabilidade geopolítica está a contribuir para uma maior volatilidade nos mercados globais de adubos, com reflexos nos preços suportados pelos agricultores europeus.
Ainda assim, a Comissão Europeia considera que o impacto directo no abastecimento da União permanece, para já, limitado. Bruxelas aponta como factores de contenção a reduzida dependência de importações provenientes do Médio Oriente, a existência de stocks e a continuidade da produção em países fornecedores como o Egipto e a Argélia.
A Comissão anunciou, contudo, um conjunto de medidas destinadas a mitigar a pressão sobre o sector agrícola. Entre elas estão a suspensão temporária dos direitos aduaneiros sobre as importações de fertilizantes azotados, a redução de encargos no âmbito do Mecanismo de Ajustamento Carbónico Fronteiriço e a adopção de um novo enquadramento de auxílios estatais para apoiar agricultores e indústrias intensivas em energia.
Bruxelas destacou ainda o Plano de Acção para os Adubos, adoptado em Maio de 2026, que prevê medidas de curto e longo prazo para reforçar a disponibilidade e a acessibilidade dos fertilizantes. O plano inclui o eventual recurso à reserva agrícola, maior flexibilidade nos pagamentos da Política Agrícola Comum e investimentos em alternativas como o biogás e o biometano. A Comissão admite também a possibilidade de activar instrumentos de emergência caso a situação se deteriore.
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Fonte: Gabinete de Ana Miguel Pedro, Eurodeputada, chefe de delegação do CDS-PP no Parlamento Europeu















































