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CARMIM e Agripro: uma parceria de sucesso

por Vida Rural
25-09-2023 | 16:03
em Nacional, Últimas
Tempo De Leitura: 7 mins
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A Agripro está, desde o início de 2023, a gerir a Secção de Vendas da CARMIM, uma parceria de concessão que permitiu dinamizar este espaço e especializar ainda mais o nível de serviço aos agricultores.

Quais os principais desafios para a cultura do vinho no Alentejo no presente e no futuro?
Os desafios são muitos e passam certamente pela valorização do produto final, esse é sem margem para dúvidas o objetivo último dos produtores. Mas há um claro desafio para o setor: segundo a OIV, regista-se uma tendência de redução no consumo mundial de vinho. Se o bolo se reduz, só podemos aumentar a nossa fatia se a fatia dos outros reduzir. Os vinhos portugueses têm forçosamente de ver aumentada a sua quota nos mercados mundiais.
Estamos apreensivos com o coro crescente de organizações a pugnar pela introdução de alertas aos malefícios do vinho na saúde humana, a OMS não é alheia a este crescendo, veja-se o recente caso da Irlanda. Não conseguimos prever os efeitos a prazo desta cruzada sanitária, mas temos razões para estar preocupados.
As alterações do clima colocam desafios muito significativos para a viticultura, colocando sob enorme pressão os solos e as culturas. O futuro prepara-se hoje com base no melhor conhecimento, mas a adaptação não será fácil. Daí a importância do acesso à água pelos viticultores da região de Reguengos. Alqueva está aqui tão perto, mas o acesso à água demora. Mais do que um desafio que os nossos viticultores terão de ultrapassar, esta demora onera os seus custos e coloca em causa a sustentabilidade financeira da sua atividade, por não lhes ser facultado o acesso à água.

Numa gestão moderna, quais são os desafios e as oportunidades que devem ser tidas em conta?
O mercado está muito saturado de marcas. Destacar as nossas marcas, garantir que ganham notoriedade e que o consumidor as escolhe no linear do supermercado ou na mesa do restaurante é um importante desafio. Para a generalidade das nossas marcas, há que garantir inovação, tipicidade dos vinhos da região e assegurar consistência, anos após ano, do produto final. Importa garantir também certificações no âmbito da produção de produtos alimentares, como IFS Food, a qual ostentamos desde há alguns anos com elevado nível de desempenho, bem como apresentar credenciais no domínio da sustentabilidade, um esforço a que estamos dedicados e fortemente comprometidos, nomeadamente com o compromisso de alcançar a certificação PSVA (Plano de Sustentabilidade dos Vinhos do Alentejo).

A concessão da Secção de Compra e Venda vem dinamizar a atividade?
A dimensão tem um peso importante na aquisição da generalidade dos fatores, dimensão essa que claramente faltava à cooperativa, mas que outros operadores do mercado, com experiência no retalho, evidenciavam.
Um outro fator decisivo é o conhecimento e o acompanhamento das novidades técnico-científicas, nomeadamente no âmbito dos agroquímicos. Tal acompanhamento teria de ser efetuado por recursos dedicados e altamente especializados. A nossa opção foi no sentido de beneficiar desse conhecimento externalizando a atividade assente numa parceria comercial.

O que se espera conseguir com esta concessão à Agripro?
Os primeiros seis meses são uma ínfima parte de uma relação que se pretende de longo prazo. Tem sido um período de ajustes e correções pontuais a um modelo de negócio que foi fixado há uns meses. Perspetivamos o futuro com otimismo e esperança de que venhamos a alcançar os resultados a que nos propusemos. A medida do acerto e sucesso desta parceria será sempre o nível de satisfação dos nossos associados.

A Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz, CRL (CARMIM) foi fundada em 1971, fazendo parte do núcleo de grandes cooperativas vitivinícolas alentejanas criadas nas décadas de sessenta e setenta do século passado. Conta com um total de 700 associados, sendo que a vitivinicultura representa mais de 95% da atividade e do volume de negócios.
As instalações da CARMIM têm uma capacidade de receção de uva e armazenamento de vinho de 1500 toneladas/dia e 33 milhões de litros para servir uma comunidade de cerca de 400 viticultores associados que exploram 3000 hectares de vinha.

Uma resposta profissional e diferenciada

 Quais os principais desafios da AGRIPRO no atual mercado?
Os desafios são muitos e passam por valorizar o produto final por parte dos nossos clientes. Com um pagamento justo de produtos diferenciados, podemos ter um mercado que honra compromissos e está disponível para investir em soluções que criem mais valor. A própria reorganização dos setores de comercialização dos clientes e empresas de comercialização tem de ser uma realidade para conseguir maior competitividade e capacidade de negociação.
Do ponto de vista técnico, é necessário trazer para os clientes formas de produção diferenciadas. Sabemos hoje que produzir em resíduo zero ou bio é atualmente mais desafiador do que a produção integrada mais clássica. A compreensão da natureza e a integração de outras componentes, como, por exemplo, a gestão do solo, na vertente química, física e biológica, é fundamental. A integração da agricultura de precisão com dados de vários níveis para melhoria de gestão de água, solo, infestantes, doenças e pragas tem de ser um fator de melhoria e sustentabilidade da atividade com o meio ambiente.
A criação de valor por parte das empresas que operam na área da distribuição é o maior desafio para a Agripro e existem dois fatores primordiais a solucionar: as margens de comercialização face a custos de distribuição, custos de gestão de stock e custos de gestão de crédito de clientes. Há ainda a dimensão da grande maioria de empresas de distribuição que opera no ramo e que possui uma lógica de microempresa, muitas vezes de característica familiar, sem formação em gestão, que funciona numa lógica de subsistência, forçando a margens de comercialização que não permitem a criação de valor. Resta um caminho às empresas: ganhar dimensão, aproveitar sinergias e otimizar recursos, aumentar capacidade de negociação perante fornecedores para criar valor a todos os stakeholders da cadeia.

O que levou a AGRIPRO enveredar por este projeto com a CARMIM?
A principal motivação deste processo está muito ligada à nossa dimensão e às soluções que podemos criar. A capacidade adquirida da AGRIPRO em poder auxiliar clientes que começam a trabalhar em modos de produção sem resíduo ou mesmo BIO é um motivo de orgulho e diferenciação. Também a capacidade de gestão do ponto de venda para responder às necessidades dos clientes profissionais em toda a área da agricultura ou com ela relacionada foi a motivação para fazer uma proposta de gestão concessionada.
Os desafios são comuns a todas as empresas: adaptar a sua oferta de forma que seja valorizada e reconhecida por parte dos nossos clientes. É nosso compromisso dinamizarmos a atividade a todos os sócios da CARMIM e, pela primeira vez naquele espaço, também a não sócios, uma solução que até aqui não existia. Outro desafio que estamos a concretizar foi o de juntar todas as forças vivas da zona ligada à viticultura. Permitiu começar a dar respostas mais integradas e assertivas aos viticultores, permitindo soluções que levam a maiores e melhores produções.

Qual o balanço, até agora, desta parceria para a Agripro?
O balanço deve ser feito após várias épocas a decorrer, mas já foi possível verificar a adesão dos sócios ao espaço, após a renovação, introduzindo várias diferenciações como a disponibilização de assistência técnica no balcão e no campo; o modo de gestão de loja diferenciado e de livre acesso; a possibilidade de servir todos os clientes da região; o aumento das soluções disponibilizadas; e a maior informação aos clientes que visitam a loja para a gestão das suas culturas e para o espaço rural.
Haverá muitas coisas a melhorar ainda, e devemos escutar o que os clientes necessitam e identificar as suas necessidades em todas as vertentes das várias culturas da região.

A AGRIPRO é uma empresa pertencente ao grupo Agris, criada para fornecer soluções para o agricultor profissional de forma diferenciada, profissional e individualizada.
A abrangência é em todo o território nacional, com dimensão e distribuição nacional de marcas próprias, representadas e comuns, e já com balcões agrícolas de apoio que garantem proximidade e rapidez de fornecimento. Fruto da experiência no grupo, consegue fazer a gestão eficiente de balcões agrícolas nas várias vertentes da área vegetal e alimentação animal.
Nasceu em 2017 como uma empresa independente e com meios próprios, e tem como lema “Acrescentar Valor às suas Culturas”. Conta com uma equipa de especialistas que apoia no terreno os agricultores, fornecendo as melhores soluções inovadoras na área da fertilização inteligente, sanidade vegetal, resíduo zero ou bio, condução de culturas e alguns serviços para clientes, integrando preferencialmente produtos.

O artigo foi publicado originalmente em Vida Rural.

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