Agricultores pedem mudanças na gestão da água de Alqueva

Agricultores pedem mudanças na gestão da água de Alqueva

Agricultores querem garantia de água para os precários que instalaram culturas intensivas, aumento das afluências vindas de Espanha e mais capacidade de bombagem em Alqueva.

Gerir a água que Alqueva vai armazenar num futuro próximo é o mais intrincado desafio que a Empresa de Desenvolvimento e Infra-estruturas do Alqueva (EDIA) já está a enfrentar desde que anunciou restrições no acesso à água para os agricultores precários (que instalam culturas na periferia dos blocos de rega) a partir de Janeiro de 2019.

A Associação de Proprietários e Beneficiários do Empreendimento de Fins Múltiplos do Alqueva (APBA), entidade que representa agricultores de 22 blocos de rega do Alqueva, divulgou nesta quarta-feira, através de comunicado, a sua preocupação por “eventuais restrições de água” que estão a marcar o futuro dos agricultores precários.

E propõe “algumas medidas” no que à política da água diz respeito, que passam pela integração dentro dos blocos de rega do Alqueva dos “cerca de vinte mil hectares precários legalmente autorizados pela EDIA”. A associação de proprietários esclarece que os projectos de investimento destes agricultores foram aprovados no âmbito do PDR2020, “sendo na sua maioria culturas permanentes” (olival e amendoal).

Os cerca de 20 mil hectares “vão precisar de água nos próximos 20 anos e muitos destes regantes foram incentivados e autorizados a fazer os necessários investimentos, já realizados na sua grande maioria”, realça a APBA. No actual contexto, em que está projectado estender o regadio a mais 50 mil hectares, “se agora a água sobra para mais uma expansão da rega”, então o território que neste momento está a ser cultivado pelos agricultores precários “tem toda a legitimidade para ser uma área de pleno direito”, assinala a associação de proprietários. Para superar a insegurança que neste momento está a condicionar o futuro dos agricultores nestas condições, a APBA defende que “só será legalmente possível se deixar de ser precária e passar a fazer parte da mancha de rega”. Até porque, acrescenta, “não houve nem haverá necessidade de qualquer investimento público” para a concretização desta expansão de rega, que “na sua maioria já está a produzir”.

Mas como a água se está a revelar um bem cada vez mais escasso, a APBA diz que a concretização de mais 50 mil hectares de regadio “não deverá pôr em causa o sucesso dos projectos e dos investimentos realizados e em curso por todos os regantes desta 1.ª fase”, que corresponde a 120 mil hectares.

Feitas as contas, propõe o “aumento do valor da quota anual” média dos 600 hectómetros de água de Alqueva, vinda de território espanhol, e o “aumento dos reservatórios para o armazenamento” para garantir as necessidades de água nos cerca de 200 mil hectares de regadio que Alqueva irá suportar a partir de 2022. Face ao aumento da área regada associado “ao avanço das alterações climáticas”, a APBA diz que a instalação da 5ª e da 6ª bomba para a Estação Elevatória dos Álamos “também deverá ser feito com a maior brevidade, sob pena de não estarem instaladas, prontas a funcionar quando forem necessárias”. Neste momento a estação elevatória tem apenas duas bombas a funcionar e outras duas irão ser instaladas até 2021.

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O artigo foi publicado originalmente em Público.

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