Açores promovem iniciativas nas nove ilhas para incentivar a produção biológica

Açores promovem iniciativas nas nove ilhas para incentivar a produção biológica

O Governo dos Açores vai promover, em colaboração com associações de produtores, seminários, formações e outras iniciativas para incentivar a produção biológica na região, anunciou hoje o secretário regional da Agricultura e Desenvolvimento Rural.

“Queremos desenvolver, nos próximos quatro anos, novas dimensões produtivas, como seja, especificamente a biológica. Assim, e num âmbito geral de reconhecimento da naturalidade da terra na produção de bens alimentares, nasce a iniciativa ‘Açores Bio 21’, que pretende capacitar, diferenciar e qualificar o setor agropecuário açoriano, nesta vertente da agricultura biológica”, disse o titular da pasta da Agricultura nos Açores, António Ventura, numa conferência de imprensa, em Angra do Heroísmo.

O primeiro Fórum da Agropecuária Biológica está já a decorrer e prevê a realização de iniciativas nas nove ilhas dos Açores, até novembro, como “ações de informação, seminários, ‘workshops’, visitas técnicas, bio-roteiros e ‘showcookings’”, em regime presencial ou por via digital.

“As diferentes ações destinam-se a produtores e suas associações e cooperativas, aos técnicos e dirigentes de entidades públicas e privadas, aos investigadores e aos consumidores”, revelou o governante.

A iniciativa arrancou na ilha das Flores, onde estão já a decorrer uma formação sobre horticultura biológica, uma ação de sensibilização para a produção pecuária biológica e visitas técnicas.

Para julho, estão previstos um seminário e uma formação em fruticultura na ilha Graciosa, ‘showcookings’ nas ilhas do Faial e do Pico e um seminário sobre vinhos biológicos na ilha do Pico.

Segundo António Ventura, os produtos agroalimentares dos Açores já são “muito naturais”, mas é preciso incrementar a produção biológica para ir de encontro a um novo consumidor, mais atento às “implicações da alimentação na saúde”, às “alterações climáticas” e ao “bem-estar animal”.

“Esperemos que, no final, tenhamos uma oferta maior de produtos agroalimentares biológicos. Isso não significa que o que existe não está bom. O que existe é natural e faz bem à saúde e é um produto que é um benefício para a humanidade, nós queremos é oferecer outras linhas de alimentos, porque há públicos diferenciados para tudo”, salientou.

Questionado sobre as metas que o executivo açoriano pretende atingir nesta área, o secretário da Agricultura disse que o objetivo é apenas aumentar a produção biológica.

“Nós não temos uma meta, porque é difícil quantificar uma meta. Se não aumentarmos obviamente é um fracasso, mas pretendemos aumentar essa adesão em todas as ilhas”, referiu.

A organização do ‘Açores Bio 21’, que deverá ter outras edições nos próximos anos, envolve, para além da tutela da Agricultura, a Federação Agrícola dos Açores, a Associação de Produtores e Consumidores de Agricultura Biológica Trybio e a cooperativa Bioazórica.

Para o presidente da Federação Agrícola dos Açores, Jorge Rita, é preciso apostar na formação em agricultura biológica, mas também na criação de “discriminações positivas” para esses produtores, sobretudo no período de adaptação.

“Não podemos pôr a cabeça na areia pensando que a situação da produção biológica não é algo que veio para ficar. Uma imagem de produção biológica numa região como a nossa é muito positiva”, disse, destacando o “valor acrescentando” destes produtos.

Já Ana Branco, da Trybio, considerou que é “fundamental para o avanço da agricultura biológica” capacitar produtores e técnicos, mas também “sensibilizar consumidores”.

“Temos todos juntos um papel importante na verdadeira sustentabilidade da nossa região”, reforçou.

Miguel Garcia, da Bioazórica, destacou a importância destas iniciativas se realizarem em todas as ilhas dos Açores, frisando que todas têm “um produtor biológico, pelo menos”.

“Aguardamos com muita expectativa os resultados durante a realização do evento e também para o futuro”, realçou.

Os Açores têm atualmente 184 produtores biológicos, que ocupam uma área total de 2.376 hectares, em todas as ilhas do arquipélago.

Segundo a tutela da Agricultura, em 2020 foram aprovadas 128 candidaturas de apoios a este modo de produção, num investimento público de 500 mil euros, quando em 2019 tinha sido de 100 mil euros.

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