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– 09-07-2004 |
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Marinha Grande : Técnicos confirmam origem criminosa de fogo em Mata NacionalLeiria, 08 Jul Durante o julgamento de três jovens suspeitos de terem ateado, por duas ocasiões, os incêndios que lavraram na Mata Nacional de Leiria em Agosto de 2003, várias testemunhas ouvidas pelo colectivo de juízes confirmaram a origem criminosa do fogo, tendo sido encontrados restos de pneus ardidos e areias cristalizadas, sinais de que foram sujeitas a temperaturas só obtidas com a queima de combustível. De acordo com Regino Martins, um dos mestres- florestais da Mata Nacional, no local de origem do fogo, a areia apresentava vários cristais, um sinal de que "foi queimada outra substância qualquer que ardeu de forma intensa". Para este técnico da Direcção-Geral de Florestas, que coordenou as investigações, se apenas tivesse sido utilizado caruma ou pinhas o fogo não teria sido tão intenso e não provocaria o aparecimento de cristais na areia. A mesma opinião manifestaram outros mestres- florestais que identificaram um local ardido junto ao fogo principal, que havia sido ateado com um pneu a arder. Se este segundo fogo tivesse tido sucesso, pareceria uma nova frentes de chamas do incêndio original, salientou o técnico florestal Manuel José Lança. Segundo o comandante dos bombeiros da Marinha, Carlos Silva, foram encontrados outros locais com pneus, alguns deles marcados, que poderiam ser utilizados para atear novos fogos. Este responsável reconheceu ainda que a resposta dos bombeiros não foi mais rápida porque parte dos meios estavam na Batalha, a apoiar o combate de um incêndio que havia deflagrado horas antes na Torre. "Nesse dia, por muita ajuda que pedíssemos aos vizinhos, não a teríamos porque eles estavam todos ocupados", recordou este responsável. Nas investigações foram acusados seis homens, com idades compreendidas entre os 13 e 43 anos, mas apenas três foram pronunciados arguidos neste processo, porque dois dos suspeitos eram menores e o paradeiro do mais velho é desconhecido. De acordo com o Ministério Público (MP), os arguidos terão ateado o fogo junto a um areeiro abandonado no dia 2 de Agosto de 2003, com combustível. No dia 4 voltaram à zona para incendiar um pneu velho, que não chegou a causar danos relevantes. Os arguidos são acusados de co-autoria material de dois crimes de incêndio, um deles na forma tentada. O primeiro fogo provocou a destruição de cerca de 2.700 hectares da Mata Nacional, tendo lesado o Estado em cerca de cinco milhões de euros. Dois dos arguidos foram detidos no dia 6 de Agosto no pinhal. Em declarações anteriores, hoje sustentadas pela estratégia da Defesa, os arguidos acusam os agentes da GNR e da Polícia Judiciária de os agredir para obter uma confissão forçada. A mãe de um dos arguidos alega que o filho "estava todo marcado nas orelhas e nos braços", com sinais de agressões dos agentes da GNR da Vieira da Leiria. A testemunha disse ter confrontado um dos agentes da Polícia Judiciária que estavam junto do filho sobre o sucedido e que ele terá respondido: "ainda foi pouco" (face ao que mereceria). Agora, perante o tribunal, os arguidos garantem ser inocentes, acusando as autoridades de agressão e de os terem forçado a "confessar mentiras". Jorge Ferreira, o único agente da Polícia Judiciária inquirido esta tarde, rejeitou as acusações, salientando que quando os arguidos foram a Leiria para serem interrogados "já tinham confessado espontaneamente". A actuação das advogadas na inquirição do comandante dos bombeiros e de algumas testemunhas irritou mesmo o juiz presidente do colectivo, António Ramos, que obrigou à reformulação de algumas perguntas. "Parece que quem está a ser julgado são os bombeiros" mas "houve alguém que pegou fogo à mata", avisou o magistrado. Sobre o facto do fogo ter eclodido num dia em que ocorreram outros 46 fogos no distrito, obrigando à dispersão de meios, o juiz foi ainda mais duro nas observações às advogadas de defesa: "não estamos aqui a julgar políticos" nem "os meios do ministro da Administração Interna", mas "factos concretos" que se referem aos arguidos.
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