Com um potencial técnico de 2,74 TWh de biometano por ano, Portugal tem condições para transformar resíduos orgânicos em energia renovável, reforçar a competitividade da indústria e reduzir a dependência energética.
Portugal tem potencial para produzir 2,74 TWh de biometano por ano a partir de 20230, evitar cerca de 7 milhões de toneladas de CO₂ equivalentes anuais e criar entre 2.080 e 2.800 postos de trabalho, entre empregos diretos e indiretos, sobretudo em zonas rurais. Esta é uma das principais conclusões do estudo “O Valor do Biometano”, promovido pela APPB – Associação Portuguesa de Produtores de Bioenergia.
Desenvolvido pela Católica Lisbon SBE Studies & Consulting, da Universidade Católica Portuguesa, e pela Escola de Engenharia da Universidade do Minho, com o apoio da Floene Energias, Rega Energy, REN e Veolia Portugal, o estudo conclui que o biometano representa uma oportunidade estratégica para Portugal acelerar a descarbonização da economia, reforçar a competitividade da indústria, valorizar resíduos orgânicos e aumentar a segurança energética do país.
O estudo estima ainda que o potencial associado à valorização de resíduos do setor primário poderá ascender a 2,04 TWh por ano, ultrapassando largamente os 0,51 TWh identificados para os RSU. Estes resultados evidenciam o papel estratégico do setor agropecuário na produção de energia renovável e na promoção de soluções sustentáveis para a gestão de resíduos.
Além da produção de gás renovável, o processo permite recuperar nutrientes com potencial para utilização como fertilizante orgânico, contribuindo para uma maior circularidade dos recursos.
“O biometano é uma oportunidade única para Portugal valorizar recursos orgânicos e transformá-los numa solução com benefícios para a economia, para a indústria, para a agricultura e para a transição energética. Temos recursos, tecnologia e projetos para desenvolver o setor. O desafio passa agora por criar as condições regulatórias e económicas que permitam transformar este potencial em investimento, emprego e produção efetiva”, afirma Jaime Braga, secretário-geral da Associação Portuguesa de Produtores de Bioenergia.
O estudo destaca ainda o papel do biometano na descarbonização dos setores industriais mais difíceis de eletrificar. Por apresentar características equivalentes às do gás natural, pode ser transportado através das infraestruturas existentes, permitindo disponibilizar energia renovável sem exigir, na maioria dos casos, a substituição dos equipamentos utilizados pelas empresas.
Apesar do potencial identificado, os investigadores concluem que Portugal continua numa fase inicial de desenvolvimento deste mercado. Para acelerar o crescimento do setor, o estudo recomenda a simplificação dos processos de licenciamento, a definição de critérios claros para a avaliação ambiental dos projetos e a criação de uma política nacional que privilegie a digestão anaeróbia como destino preferencial para os resíduos orgânicos.
As conclusões deixam uma mensagem clara: Portugal dispõe dos recursos necessários para desenvolver uma fileira nacional de biometano com impacto económico, ambiental e social relevante. A concretização dessa oportunidade dependerá agora da capacidade de transformar potencial em investimento e produção.
Estudo completo aqui: https://clsbe.lisboa.ucp.pt/pt-pt/cea-estudo-do-biometano-v3
Fonte: APPB















































