De 2001 a 2024 o PIB (valor dos bens e serviços finais produzidos num ano) aumentou 14 vezes na China, triplicou nos EUA e pouco mais que duplicou na UE-27.
Para 2026 o FMI prevê um crescimento real de 4,4% para a China, contra 2,3% nos EUA e 1% na área do euro.
No mesmo período de 24 anos, as emissões de CO₂ na China mais que triplicaram, representando hoje cerca de um terço das emissões mundiais, enquanto nos EUA desceram cerca de 15% e na UE-27 35% aproximadamente.
De notar que em 2001 aquando da admissão da China na OMC (organização que permite a entrada no comércio internacional), muitas foram as vozes que na Europa alertaram para a oportunidade oferecida às exportações para aquele grande país, tecnologicamente atrasado. No fundo pretendiam criticar o oportunismo dos empresários europeus, mas na verdade todos os europeus vieram a perder: após um período em que beneficiaram de compras a preços muito baixos, posteriormente têm vindo a sofrer devido à pressão sobre salários e desemprego industrial em larga escala.
Ora, entretanto, na UE-27 formaram-se múltiplos grupos de pressão no sentido de proteger a todo o custo o ambiente, o bem-estar animal e, simultaneamente, impor múltiplas restrições à produção de alimentos, recusando inclusive a introdução da moderna biotecnologia (OGMs), se bem que importe anualmente cerca de 50 milhões de toneladas de alimentos geneticamente modificados.
Outros há na UE-27 que – insensíveis à fragilidade energética da mesma – opõem-se à produção de energias limpas: hídrica (barragens, bloqueiam a migração dos peixes), eólica e fotovoltaica (constrição paisagística) e da nuclear não se pode falar.
Apesar do que antecede, em Portugal as energias renováveis atingiram uma importância relevante na produção de eletricidade, colocando o nosso país no pódio europeu; todavia Portugal ficou ainda bastante dependente de combustíveis fósseis, sobretudo nos transportes – que importa eletrificar.
Por razões que se prendem, em grande parte, com restrições ambientais, a UE-27 tem sido ultrapassada no campo industrial, com maior visibilidade no fabrico de automóveis, de equipamentos elétricos e eletrónicos, e de fertilizantes.
Na verdade, a situação inverteu-se: em 2024 a UE importou da China 519 mil milhões de dólares e exportou apenas 213 mil milhões.
Acresce que na última década a Europa perdeu também terreno tecnológico que foi ocupado pelos EUA, com grandes empresas como a Google, Amazon e Meta.
Ademais a UE-27 assiste a uma prolongada guerra na Europa, que ninguém sabe como e quando terminará.
Mas apesar de tudo o que antecede, a burocracia e as restrições – sem paralelo noutras zonas económicas – não abrandaram, designadamente no domínio da produção de alimentos, que melhor conheço.
No que toca à pecuária, dois países decidiram até reduzir a produção: a Dinamarca para diminuir a emissão de gases com efeito de estufa emitidos pelos animais, e os Países Baixos com vista à redução do amoníaco incorporado nos solos através dos estrumes. Em consequência de referido decréscimo da produção animal, o mais provável é que o mesmo seja compensado pelo aumento da produção noutros países, europeus ou não – sendo certo que Portugal encontra-se numa situação favorável: por um lado dispõe de empresas competitivas e, sobretudo, porque a esmagadora maioria dos solos são muito pobres em matéria orgânica – base da fertilidade dos mesmos – pelo que entre nós as estrumações revestem-se de grande interesse agronómico, para além de diminuírem a utilização de adubos azotados de síntese que, além de serem em grande parte importados de países terceiros, o seu fabrico tem consequências ambientais indesejáveis (razão por que Bruxelas tenciona mesmo aplicar taxas à sua importação).
A concluir, podemos reconhecer que a UE-27 perdeu terreno em tecnologia e em produtividade. O que foi reconhecido por Mario Draghi em 2024, propondo, nomeadamente, menos regulamentação e burocracia, melhor aproveitamento da excelente ciência europeia, mais inovação, mais energia (barata) e muito mais investimento.
Engenheiro Agrónomo, Ph.D.
















































