O Governo moçambicano anunciou hoje a criação de pelo menos 20 explorações agrícolas para aumentar a produção de batata, visando reduzir mais de 70% das importações da vizinha África do Sul,
“Temos que pensar também em diversificar as fontes de fornecimento. Nós não podemos continuar a depender da África do Sul em mais de 70% daquilo que é o nosso consumo de batata”, afirmou o secretário de Estado do Comércio, António Crispos, numa informação divulgada pelo Ministério da Economia.
Segundo o governante, a principal solução passa pelo aumento da produção interna, destacando iniciativas já existentes nos distritos da Moamba, na província de Maputo, e noutras zonas produtoras do país.
“Nós temos que subir com números reais. Nós temos esta produção, por exemplo, que falamos na Moamba e um pouco em Inhambane. Se nós tivermos 20 farmas [fazendas] que multipliquem este crescimento, nós teremos uma diminuição em cerca de 40 a 50% daquilo que é a nossa importação”, declarou.
Para António Crispos, a aposta na produção nacional permitirá igualmente reduzir os gastos em divisas associados à importação do produto.
O secretário de Estado defendeu ainda medidas de apoio à produção, incluindo a disponibilidade de sementes de qualidade e de insumos agrícolas, bem como a coordenação entre diferentes setores governamentais para reforçar a cadeia produtiva.
Segundo o governante, eventuais restrições às importações só poderão ser consideradas quando a produção nacional for suficiente para responder à procura interna.
“Nós não vamos restringir se não tivermos produção nacional. Imagina que restringíssemos hoje. Amanhã haveria falta de batata. Duas coisas iam acontecer: não tínhamos que comer e o preço ia disparar”, afirmou.
“Tomar uma medida dessas seria uma medida ilusória, completamente desconectada com aquilo que é a política que nós devemos seguir”, acrescentou.
A posição surge numa altura em que o Governo moçambicano procura reduzir a dependência externa em produtos alimentares considerados estratégicos, apontando o desenvolvimento da agricultura mecanizada como uma das prioridades para reforçar a segurança alimentar e impulsionar a industrialização da economia.
Em outubro foram já aprovadas restrições e limitações à importação de pão de forma e de produtos cerâmicos.
















































