Uma solução biológica para controlar o cancro da amendoeira vai ser desenvolvida no âmbito do projeto BioProACE, liderado pelo InnovPlantProtect (InPP), laboratório colaborativo sediado em Elvas. A doença afeta a saúde das árvores e compromete a produção dos pomares.
O projeto, com um investimento total de 208 mil euros, vai criar um espólio de bactérias naturalmente presentes nos solos e em plantas da Euroregião Alentejo-Centro-Extremadura (EUROACE), que integra o Alentejo, a região Centro de Portugal e a Extremadura espanhola. O objetivo é identificar, dentro dessa coleção, bactérias com potencial para controlar o fungo Diaporthe amygdali, responsável pelo cancro da amendoeira.
A cultura da amendoeira tem vindo a ganhar expressão no território, mas enfrenta desafios fitossanitários que exigem soluções eficazes e adaptadas às condições locais. Neste contexto, o BioProACE pretende contribuir para o desenvolvimento de alternativas de base biológica aos fungicidas convencionais no controlo do cancro da amendoeira, promovendo uma proteção das culturas mais sustentável, segundo o InPP.
Ao longo do projeto será criada uma coleção de bactérias autóctones, a partir da qual serão selecionados os microrganismos mais promissores. Os candidatos identificados serão avaliados em laboratório e em planta, seguindo-se o desenvolvimento de formulações e ensaios em pomares de amendoeira em Portugal e Espanha.
“A colaboração entre entidades de investigação e empresas agrícolas permitirá aproximar o trabalho científico das necessidades dos produtores e avaliar o potencial de aplicação das soluções desenvolvidas em condições reais”, destaca Cristina Azevedo, diretora responsável pelo projeto.
O BioProACE tem uma duração de 36 meses, com execução prevista entre novembro de 2026 e outubro de 2029. Do investimento total, 149.992,12 euros correspondem a apoio aprovado pela Fundação “la Caixa”, no âmbito do Programa Promove – Projetos-Piloto 2026.
Além do InnovPlantProtect, o consórcio reúne o INIAV, o Centro de Investigaciones Científicas y Tecnológicas de Extremadura (CICYTEX), as empresas De Prado Portugal e De Prado Cervantes e a Associação para a Promoção de Frutos Secos (Portugal Nuts).
O artigo foi publicado originalmente em Vida Rural.
















































