A Associação de Produtores de Azeite do Douro (APAD) aponta para um aumento de produção de azeitona e alerta para dificuldades de mão-de-obra neste território de montanha, onde se quer criar uma Indicação Geográfica Protegida (IGP).
A dar os primeiros passos a partir do concelho de Alijó, distrito de Vila Real, a APAD está em fase de angariação de associados e quer juntar olivicultores e comercializadores para valorizar o setor oleícola duriense.
O presidente da associação, Sérgio Alves, disse hoje à agência Lusa que a campanha de apanha de azeitona começou mais cedo, num ano em que, de forma generalizada, o amadurecimento dos frutos foi precoce por causa do calor intenso e da falta de chuva no período de verão e outono.
“Há olivicultores que começaram cedo e bem porque, de facto, a maturação da azeitona permite começar mais cedo, tal como aconteceu na vindima”, referiu o responsável que antecipa uma produção superior à do ano passado em cerca de 20 a 30% e azeites de “boa qualidade”.
A azeitona, acrescentou, “parece estar mais sã, apesar da falta de água e de alguma estar a cair por causa do ataque de mosca”, explicando que a que cai já não é apanhada.
Neste território de montanha e de dificuldades de mecanização, a falta de mão-de-obra é uma das maiores dificuldades apontadas pelos produtores.
“O olival do Douro é muito tradicional. Está muito dependente da mão-de-obra porque a apanha e os trabalhos são feitos de uma forma ainda muito manual. Isto acaba por encarecer o produto final, o azeite, e é preciso também conseguirmos explicar isto ao mercado e de alguma maneira diferenciarmo-nos das outras regiões”, salientou.
Sérgio Alves disse que o Douro tem que “conseguir competir em qualidade” e oferecer uma “experiência diferente que não seja só o consumo do azeite”.
Nesse sentido, muitos produtores estão a apostar no olivoturismo, nas visitas aos lagares e em programas que conciliam a apanha de azeitona para turistas com provas de azeite.
A ação da nova associação está ligada ao Centro Interpretativo do Olival ao Azeite D’ Ouro, instalado em Castedo do Douro, um equipamento gerido pela Câmara de Alijó que nasceu da remodelação de um antigo lagar de azeite.
Sérgio Alves sublinhou ainda que a APAD quer contribuir para que se “desenrole mais rapidamente” o processo de criação da IGP Douro, que disse estar “um bocadinho parado, embora prometido há algum tempo”.
O Douro quer mostrar que não é só um território de produção de vinho, mas cada vez mais também de azeite.
Amândio Machado tem uma empresa de serviços agrícolas sediada em Castedo do Douro que trabalha para várias quintas.
“Agora andamos com a azeitona”, salientou, referindo que, para a sua empresa, a apanha começou cerca de um mês mais cedo do que no ano passado porque este foi um verão de “muito calor” o que acelerou a maturação da azeitona.
Referiu ainda que já tem a agenda cheia até dezembro. “E não sei se conseguimos dar resposta a tudo. Tenho mais patrões do que empregados”, salientou, apontando também à falta de mão-de-obra.
Tem seis pessoas a trabalhar consigo, mas precisava de “bem mais”. A apanha é feita com uma vara mecânica e ainda varas tradicionais de madeira.
Na Quinta do Monte, em Gouvinhas, concelho de Sabrosa, há olivais e há oliveiras que servem de bordadura às vinhas em socalcos onde o desafio da apanha é ainda maior.
“Exige muito mais mão de obra e muito mais tempo porque é tudo manual, não é mecanizado”, referiu Cinthia Moyano, da empresa Douro Land, que contou que, durante a campanha, conta com oito a nove pessoas por dia.
Aqui a apanha começou em meados de outubro, duas semanas mais cedo do que no ano passado, e a responsável apontou para uma colheita na ordem das cinco a seis toneladas de azeitona nesta quinta localizada em pleno Douro, falando num bom rendimento, mas considerando que, neste território, se tem que começar a pensar na rega das oliveiras para fazer face ao aumento das temperaturas.
O ano vitícola no Douro foi marcado por temperaturas sistematicamente acima da média e por uma precipitação muito heterogénea ao longo da campanha e, apesar das chuvas intensas do inverno, a partir de março, verificou-se uma redução muito acentuada da precipitação e secura e calor significativos durante toda a primavera e verão, incluindo o mês de setembro.
O lagar Agrifiba, em Vila Real, abriu 10 dias mais cedo do que em 2025.
“Este ano a fruta amadureceu muito mais cedo, o ano assim o quis, está um ano seco”, afirmou o responsável Ivo Borges, que salientou acreditar que a produção aumente uns 15 a 20% em relação a 2025, mas que alertou para o preço do azeite que “está muito em baixo” e para o “custo da apanha que é altíssimo” no Douro.
Por estas duas dificuldades, o empresário teme que a campanha “seja mais curta” porque poderá haver muita gente que não consiga apanhar toda a azeitona.
Este lagar trabalha essencialmente com produtores do Douro, nomeadamente muitas quintas que estão a diversificar a produção para além do vinho.
















































