O tempo quente e seco prejudicou a produção de castanhas em Marvão, distrito de Portalegre, com os produtores a considerar que este é um ano “fora do normal”, também agravado pelo aumento dos custos de produção.
Em declarações à agência Lusa, o produtor de castanhas José Mário, que este ano direciona a maioria da sua produção e também a compra do fruto a outros produtores, para a secagem e produção de farinha, recordou que “em anos normais” transformava entre 10 e 12 toneladas e, este ano, tem “cerca de duas toneladas” para o efeito.
“A produção este ano teve quebras [na região] de 70% a 80%, eu não me lembro disto assim. Já atravessámos grandes dificuldades, mas, como este ano, é uma coisa fora do normal”, disse.
Na zona de Marvão, com um microclima considerado único, proporcionado pela serra de São Mamede, predominam nos campos castanheiros das espécies Bária e Clarinha, mas há explorações com outras variedades, também de Denominação de Origem Protegida (DOP), entre nacionais e estrangeiras.
José Mário indicou ainda que este ano o calibre da castanha é baixo, mas o fruto, apesar de escasso, “tem sempre qualidade” na zona de Marvão.
Além de o tempo quente e seco não ter ajudado os produtores, os preços de produção e da mão-de-obra agravaram a situação.
José Mário relatou que contratou recentemente três pessoas para apanhar castanhas na sua exploração e, no final do dia, recolheram “apenas cerca de 20 quilos”, um valor considerado escasso para fazer face à despesa.
Também em declarações à Lusa, o produtor Jeremias Marques afirmou que este é “um ano desgraçado” para a produção, embora a qualidade da castanha “não esteja mal de todo” na região:
Lamentou ainda que a “maior parte” do fruto fique este ano no terreno, porque os ouriços (cápsulas onde estão as castanhas) não caem das árvores ou, quando caem, a castanha “já está estragada” devido às temperaturas altas registadas nos últimos tempos.
“Se o ano fosse bom, este ano era capaz de arranjar sete ou oito toneladas. Assim, se chagar às quatro já vai ser bom”, lamentou.
Apontando perdas na produção na região na ordem dos 50% a 60%, Jeremias Marques, que aposta também na secagem da castanha, explicou ainda que o pouco fruto que resta não serve para congelar, devido à falta de humidade que apresenta.
“Quem tem possibilidades de fazer transformar a castanha em castanha seca, desidratada, é a única forma de a salvar, porque está com tão pouca humidade que para a área da congelação vai com um teor que depois não se consegue fazer nada”, disse.
Ambos os produtores indicaram que a castanha está a ser comercializada na zona de Marvão com preços que variam entre os três e os quatro euros o quilograma, dependendo da variedade em causa.
















































