A AHSA apresentou nove projetos para responder a desafios estruturais do Sudoeste Alentejano, como a gestão da água, o alojamento de trabalhadores e a escassez de mão de obra, durante o II Colóquio da associação, em Odemira. A região representa 15% das exportações nacionais de frutas, legumes e flores.
O II Colóquio AHSA decorreu no Cineteatro Camacho Costa e reuniu mais de 150 participantes, entre representantes de entidades públicas, academia, especialistas e empresários do setor agroalimentar. O programa organizou-se em três pilares (gestão da água, valorização das pessoas e sustentabilidade ambiental) e incluiu a apresentação do Plano de Ação Climática de Odemira pelo Município.
Água, mão de obra e habitação no centro dos projetos do Sudoeste Alentejano
Nos recursos hídricos e no emprego, a associação destacou o Água que Une, que prevê o acompanhamento e a reflexão estratégica sobre a segurança hídrica regional, com destaque para o projeto de interligação entre o sistema de Alqueva e a barragem de Santa Clara. Foram também apresentados a Bolsa de Valores, um mecanismo regional para articular necessidades de mão de obra entre a agricultura e outros setores económicos e combater a inatividade sazonal, e o Horizonte Sudoeste, dirigido à aproximação dos jovens ao ensino agrícola e à renovação geracional no setor.
No eixo social, o ACTTO prevê a criação de quatro unidades de alojamento coletivo para trabalhadores temporários no Perímetro de Rega do Mira na próxima década, para acolher 500 trabalhadores e disponibilizar cerca de 2.000 camas adicionais. O portefólio inclui ainda o WELCOME!, um espaço de trabalho colaborativo focado no recrutamento ético e na integração de trabalhadores migrantes na comunidade, e o Caminhos & Raízes, um diagnóstico sobre mobilidade rural e acessibilidade no concelho de Odemira.
 
Na área do ambiente e da energia, o Sudoeste +Verde prevê a capacitação e a instalação de sebes e cortinas de abrigo nas explorações agrícolas do Perímetro de Rega do Mira, para promover a biodiversidade, a retenção de humidade e a proteção do solo contra a erosão. O Segunda Vida propõe uma unidade territorial de compostagem no Sudoeste Alentejano para valorizar resíduos orgânicos agrícolas e vegetais, e as comunidades de energia “Sol p’ra todos” preveem a partilha de energia solar entre explorações, município e comunidade local, incluindo modelos de apoio à mitigação da pobreza energética.
Na abertura, o presidente da AHSA, Luís Mesquita Dias, defendeu que o futuro da região passa, segundo ele, pela “capacidade de aliar a sustentabilidade ambiental à coesão social e à competitividade económica”, acrescentando que os projetos traduzem o compromisso de “liderar respostas concretas para desafios estruturais do setor agrícola, como a água, a habitação digna e a valorização das pessoas”.
Escassez de mão de obra é o principal risco apontado pelas empresas
O colóquio serviu ainda para divulgar os dados do inquérito anual aos associados. A AHSA estima um volume de negócios de cerca de 500 milhões de euros em 2026, numa estrutura com mais de 40 associados e mais de 20 parceiros. Os cerca de 6.000 hectares cultivados na região continuam a representar 15% do total das exportações nacionais de frutas, legumes e flores.
O inquérito confirma a vertente exportadora da agricultura do Sudoeste Alentejano: 65% das empresas exportam mais de 70% da produção e 77% exportam mais de 40%, com França, Reino Unido, Países Baixos, Espanha e Alemanha como principais mercados. Os associados empregam mais de 4.400 trabalhadores permanentes e, em 74% das empresas, mais de metade dos trabalhadores é de origem estrangeira.
Dois terços das empresas apontaram a escassez de mão de obra como o principal risco para a campanha, atribuindo-o às alterações legais, à saída de trabalhadores para outros países e às limitações de alojamento.
O artigo foi publicado originalmente em Vida Rural.














































