Reunidos na Universidade de Évora, cerca de 200 investigadores, empresários e representantes do setor agroalimentar debateram prioridades de investigação e inovação para reforçar a segurança e soberania alimentar do país.
Realizou-se a 18 de setembro de 2026, no Auditório Nobre do Colégio do Espírito Santo da Universidade de Évora, a consulta bottom-up “Alimentar Portugal – Prioridades de Investigação e Inovação Agroalimentar e Agroflorestal”. A iniciativa reuniu unidades de investigação, empresas e associações com o objetivo de definir prioridades nacionais a integrar pela Agência para a Investigação e Inovação.
Desafios e potencial do setor
Apesar da forte expressão económica da fileira agroalimentar — que contabiliza um volume de negócios de 34.946 milhões de euros, um Valor Acrescentado Bruto (VAB) de 7.919 milhões de euros e mais de 327 mil trabalhadores —, Portugal mantém um défice estrutural na balança comercial superior a 5 mil milhões de euros. Num contexto marcado por alterações climáticas e instabilidade geopolítica, o documento estratégico sublinha a urgência de transformar o conhecimento científico em valor económico e resiliência territorial.
Durante o encontro, os participantes organizaram-se em grupos de trabalho transdisciplinares para incidir sobre quatro eixos fundamentais:
- Sustentabilidade produtiva: Adaptação às alterações climáticas, gestão eficiente da água e regeneração de solos.
- Inovação e bioeconomia: Aposta na biotecnologia, fermentação de precisão, proteínas alternativas e valorização de subprodutos.
- Segurança e soberania: Desenvolvimento de sistemas de monitorização de riscos com recurso a inteligência artificial.
- Transferência de conhecimento: Aproximação efetiva entre a investigação académica, o tecido empresarial e o terreno.
Rumo a uma Missão Nacional
As conclusões do encontro cristalizaram na proposta formal para o reconhecimento da Agricultura e Alimentação como Domínio Estratégico nacional, beneficiando de financiamento plurianual dedicado e de uma abordagem integrada do tipo One Health (Uma Só Saúde).
“Não basta produzir mais conhecimento; é necessário transformar conhecimento em soluções adotadas, valor económico, resiliência territorial e autonomia estratégica.”
A organização local esteve a cargo do MED (Instituto Mediterrâneo para a Agricultura, Ambiente e Desenvolvimento) da Universidade de Évora, contando com a coorganização de vários centros de investigação de referência, como o CIMO, o CITAB, o LEAF, o GreenUPorto e o Green-it.
O artigo foi publicado originalmente em Rede Rural Nacional.















































