Um estudo da Fundação para a Competitividade Empresarial (Fundec) de Moçambique indica que a produtividade industrial na agricultura, indústria extrativa e atividades financeiras cresceu no primeiro semestre deste ano, mas recuou na indústria transformadora, comércio e serviços.
Segundo o Índice de Competitividade Empresarial de Moçambique (ICEM) da Fundec, a que a Lusa teve acesso hoje, no global, no primeiro semestre de 2026, o ICEM cresceu 37,34% em relação ao período imediatamente anterior, o segundo semestre de 2025, passando de 26,43 para 36,3 pontos.
Na prática, estes números indicam que a produtividade cresceu nos setores como agricultura (80,11%), indústria extrativa (49,9%) e atividades financeiras (10,88%), mas declinou na indústria transformadora em 26,54%, comércio e serviços emm23,15%, transporte e logística em 9,52% e construção e obras públicas em 6,32%.
“A melhoria da produtividade não é transversal; os ganhos concentram-se sobretudo na agricultura, recursos naturais e serviços financeiros (…) A produtividade elevada permanece concentrada em atividades intensivas em capital e recursos naturais. A indústria transformadora constitui um dos principais sinais de alerta”, refere.
O mesmo documento aponta para uma evolução negativa na profundidade de crédito, indicando que entre o segundo semestre de 2025 e o primeiro deste ano, no setor da agricultura decresceu em 28,84%, indústria transformadora em 19,74%, construção e obras públicas em 16,04%, transportes e logística em 12, 10% e comércio e serviços em 11,88%.
“A deterioração é transversal, sugerindo fatores que limitam a utilização do crédito pelas empresas ou a capacidade do sistema financeiro de ampliar o financiamento à atividade produtiva”, lê-se no documento.
A Fundec também divulgou o Rating Empresarial e Financeiro (REF) referente ao segundo trimestre de 2026, que se situa em 42,84 pontos, revelando uma melhoria relevante das condições empresariais e financeiras face ao primeiro trimestre, quando o REF se situou em 38,623 pontos.
O REF avalia a robustez e o risco do tecido empresarial e financeiro e ajudar investidores, bancos e gestores a compreender melhor a capacidade das empresas para enfrentar riscos e sustentar a sua atividade.
Segundo este estudo da Fundec, no segundo trimestre deste ano a confiança económica melhorou, mas não ficou consolidada, o crédito recuperou, mas precisa de chegar mais à economia produtiva e as condições de financiamento melhoraram relativamente, mas o custo absoluto continua elevado.
Assim, o documento recomenda ao Governo e ao setor privado para transformarem crédito em investimento produtivo e a direcionar financiamento para a indústria, agricultura comercial, agroprocessamento, logística, energia, tecnologia, exportação e conteúdo local.
A Fundec pede ainda aposta na criação de mais mecanismos de financiamento para as pequenas e médias empresas, aprofundamento de garantias de crédito, financiamento baseado em contratos, além de aposta em financiamento concreto em equipamentos para alavancar a indústria, além de pretender ver aumentada a profundidade do mercado de capitais e criação de condições para a emissão de obrigações corporativas e entrada de novas empresas no mercado nacional.
“Moçambique está a reconstruir as condições financeiras e produtivas necessárias para uma recuperação empresarial mais robusta, mas essa melhoria ainda não se transmitiu plenamente à atividade económica, portanto, recuperação moçambicana ainda se encontra numa fase de transição”, conclui o REF.















































