Os incêndios que há quatro dias atingem a região de Atenas voltaram hoje a intensificar-se, ameaçando zonas habitadas e industriais a oeste da capital grega, apesar da diminuição do vento e da mobilização de centenas de bombeiros.
Depois de uma ligeira melhoria durante a manhã, as autoridades registaram um reacendimento das chamas durante a tarde na zona de Kandyli, uma das principais frentes do incêndio.
“Embora o vento tenha abrandado na região, em Kandyli ainda há rajadas e correntes ascendentes criadas pelo ar quente que sobe, e estamos a assistir a um ressurgimento do fogo”, afirmou o presidente da câmara de Megara, Panagiotis Margetis.
Segundo o autarca, não foram registados até agora danos em habitações ou empresas nas zonas de Kandyli e Agia Skepi, cerca de 50 quilómetros a noroeste de Atenas.
Margetis alertou, contudo, que “o fogo está constantemente a mudar de direção” e aproxima-se da zona industrial de Megara, cidade com mais de 20 mil habitantes, considerando a situação “muito perigosa”.
Os bombeiros confirmaram que o incêndio voltou a intensificar-se durante a tarde, embora tenham salientado que a situação é expectável perante a existência de vários focos ainda ativos.
Durante a manhã, o porta-voz dos bombeiros, Yannis Artopios, tinha assinalado uma melhoria da situação, mas advertido que não existia “absolutamente nenhuma razão para baixarmos a guarda”.
Cerca de 450 bombeiros, apoiados por 22 equipas especializadas no combate a incêndios florestais e 126 viaturas, estão mobilizados na região.
Do ar, as operações contam com 12 helicópteros e 16 aviões de combate aos incêndios.
Novas evacuações foram ordenadas durante a manhã nas proximidades de Kandyli, segundo a Proteção Civil grega.
Os ventos, que chegaram a ultrapassar os 100 quilómetros por hora nos últimos dias na região da Ática, diminuíram significativamente, mas as autoridades receiam que a subida das temperaturas, que poderão atingir 37 graus Celsius na quarta-feira, volte a agravar as condições.
Os incêndios atingiram sobretudo áreas florestais e agrícolas, incluindo extensos olivais, e poucas habitações foram destruídas até agora.
“É um desastre total. O que aconteceu é inaceitável”, afirmou Konstantinos Makrinoris, antigo presidente da câmara de Vilia, perto de Porto Germeno, acrescentando que as chamas percorreram cerca de 45 quilómetros desde o local onde começou o incêndio.
O risco de incêndio mantém-se “muito elevado”, no nível quatro de uma escala de cinco, na Ática e na vizinha região da Beócia, segundo a Proteção Civil.
Outros incêndios de menor dimensão registados no país, incluindo na ilha de Cefalónia, no Mar Jónico, foram entretanto controlados.
Mais de 12 mil hectares de floresta e terrenos agrícolas arderam na Grécia na última semana, segundo dados baseados em análises do programa europeu Copernicus.
A atual vaga de incêndios já provocou a morte de três bombeiros.
Um piloto de helicóptero e o copiloto morreram também no domingo, após uma colisão com outra aeronave durante uma operação de combate às chamas perto de Psatha.
Dois trabalhadores de uma empresa de eletricidade foram entretanto detidos no âmbito da investigação às causas do incêndio, que poderá ter começado devido a uma faísca provocada por um cabo elétrico, segundo a imprensa grega.













































