O presidente da Federação Agrícola dos Açores (FAA) condenou a descida do preço do leite pago ao produtor em São Miguel, anunciada pela Insulac e pela Prolacto, com efeitos a partir de 1 de agosto.
Para Jorge Rita, a indústria deu “mais uma machadada” na produção de leite micaelense, com impacto em todo o setor leiteiro dos Açores, sublinhando que esta decisão prejudica “tanto os jovens, a quem andamos a apelar que venham para o setor, como aqueles que acreditam e querem continuar a produzir, e até têm expetativa de fazer investimentos”.
“Quando reivindicamos a redução da produção de leite e a reconversão de explorações leiteiras para a produção de carne, a indústria manifesta-se contra. Agora, queixam-se da existência de excedentes de leite”, sustenta.
O também presidente da Associação Agrícola de São Miguel (AASM) alerta para o “clima de desconfiança e de insegurança”, numa altura em que se antecipa um aumento dos custos de produção, na sequência do conflito no Médio Oriente e do calor extremo que se faz sentir em muitos países.
“O cabaz de compras está mais caro, de forma transversal, a todos os produtos e nós somos confrontados com uma descida do preço do leite. Já nem a sociedade em geral acredita nas nossas indústrias de laticínios”, vinca.
Além disso, Jorge Rita estranha esta nova descida do preço do leite em São Miguel, quando a indústria revela grandes investimentos.
De acordo com o dirigente, a Prolacto anunciou recentemente “que vai ter um produto novo associado ao verde e à pastagem, e a Insulac tem um grande projeto para concretizar”, disse, referindo-se à modernização da fábrica.
“Vamos aguardar o que a Bel e a Unileite vão fazer”, adverte o presidente da AASM e da FAA.
O dirigente recorda ainda que a situação do mercado dos produtos lácteos já foi mais desfavorável, pelo que a expetativa era de melhoria, sobretudo numa altura em que a produção de leite tende a diminuir e a cotação de alguns produtos tem vindo a melhorar, tal como referiu recentemente o administrador da Bel numa reunião com os seus produtores.
“Esta não é uma boa mensagem da indústria para os produtores, vindo a desmotivar quem produz, bem como aqueles que acreditam e querem continuar a investir no setor leiteiro”, realça.
Fonte: Federação Agrícola dos Açores













































