O Governo moçambicano prevê reduzir em cinco anos a importação de sementes melhoradas e aumentar a produção agrícola no país para travar a pobreza, após assinatura, hoje, do acordo de investimento neerlandês de 12,5 milhões de euros.
A posição foi assumida pelo ministro de Planificação e Desenvolvimento à margem da assinatura, em Maputo, do Acordo de Financiamento do Programa de Parceria para o Desenvolvimento do Setor de Sementes em Moçambique (Mozambique Seed Partnership – MSP), iniciativa que vai decorrer entre 2026 e 2031, tendo Salim Valá referido que será focado nas sementes de culturas alimentares que contribuem para a inflação, das quais hortícolas.
“Então, são essas [sementes] que são o nosso foco para reduzir importações, substituir importações e reter divisas, as que estamos a gastar a importar produtos que Moçambique tem capacidade, o Vale do Zambeze tem potencial de produzir”, disse o ministro.
O governante destacou o papel estratégico do acordo para desenvolver sementes melhoradas, num investimento de 12,5 milhões de euros daquele país europeu, explicando que servirá para impulsionar a produção agrícola.
“O investimento estratégico no domínio das sementes através deste projeto ‘Mbeu’, que vai aportar cerca de 12,5 milhões de euros, vai trazer um grande impulso a uma área estratégica para o aumento da produção e da produtividade na agricultura em Moçambique”, disse Salim Valá.
O acordo foi assinado pelo diretor-geral da Agência de Desenvolvimento do Vale do Zambeze (ADVZ), Celso Cunha, e pelo chefe adjunto da missão e chefe da Cooperação da Embaixada dos Países Baixos em Moçambique, Wietze Sijtsma, para fortalecer o sistema nacional de sementes e ampliar o acesso dos produtores a sementes de elevada qualidade e resilientes às mudanças climáticas.
“Nós podemos certamente, num horizonte de três, quatro, ou cinco anos, fragilizar os fundamentos nos quais assenta a pobreza, mas também reduzir significativamente as desigualdades sociais abismais a par de um crescimento económico mais inclusivo, mais robusto por parte daquelas famílias em que os níveis de produtividade atual são muito baixos”, explicou ainda o ministro Valá.
Segundo o governante, o programa é focado em toda a cadeia de valor da semente, avançando que serão realizados trabalhos para reforçar a capacidade regulatória de produção de sementes adequadas e melhoradas em Moçambique.
Wietze Sijtsma enalteceu a abertura do Governo moçambicano para a iniciativa, manifestando o interesse em reforçar a diplomacia entre as partes no desenvolvimento de projetos sustentáveis e inclusivos.
“Estamos convencidos de que existe uma oportunidade real para acelerar este processo. Para isso, será essencial continuar a trabalhar sob a liderança do Governo de Moçambique e em estreito alinhamento com as suas prioridades de desenvolvimento”, disse Wietze Sijtsma.
O diplomata acrescentou que o acordo representa um investimento numa agricultura “mais produtiva, resiliente e competitiva, capaz de gerar rendimento, emprego e oportunidades para milhões de moçambicanos.
Segundo o Governo moçambicano, este programa será implementado pela ADVZ, em parceria com o Instituto de Investigação Agrária de Moçambique (IIAM) e o Wageningen Social & Economic Research (WSER), da Universidade de Wageningen, dos Países Baixos, devendo ainda contar com a colaboração da Direção Nacional de Sanidade Agrária e Biossegurança, organizações de produtores, empresas de sementes, instituições financeiras e outros parceiros nacionais e internacionais.














































