Análise parte de mais de 500 fósseis provenientes de seis locais em Portugal, incluindo grutas em Peniche, Tomar, Montemor-o-Novo e Torres Novas;
Ursos pardos do passado eram, em muitos casos, significativamente maiores e mais robustos do que os atuais, podendo, em alguns casos, chegar perto dos 400kg;
Segundo os investigadores, esta diminuição de tamanho estará fortemente associada à pressão humana e à alteração de habitats, fatores que marcaram a evolução recente da espécie.
Um novo trabalho de investigação publicado na prestigiada revista científica Palaeogeography, Palaeoclimatology, Palaeoecology (Elsevier), vem revelar evidências sobre a evolução, dimensão e adaptação do urso pardo (Ursus arctos) na Península Ibérica ao longo do Plistocénico. Trata-se de um trabalho desenvolvido por Darío Estraviz-López, enquanto estudante de doutoramento da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade NOVA de Lisboa | NOVA FCT, e de María Ríos, investigadora de pós-doutoramento CEEC da instituição, entre outros colaboradores internacionais.
Sob o título Ursos pardos do Plistocénico em Portugal: tendências morfométricas, fatores paleoambientais e inferências paleobiológicas, o trabalho parte da análise de mais de 500 fósseis provenientes de seis locais em Portugal, incluindo a Gruta da Furninha (Peniche), Gruta das Fontainhas (Cadaval), Serra de Molianos (Alcobaça), Gruta do Caldeirão (Tomar), Gruta do Escoural (Montemor-o-Novo) e Gruta da Oliveira (Torres Novas).
Entre as conclusões, o trabalho demonstra que os ursos pardos do passado eram, em muitos casos, significativamente maiores e mais robustos do que os atuais, podendo, em alguns casos, ultrapassar os 300kg. Existem mesmo exemplares excecionalmente grandes, comparáveis aos maiores encontrados no registo fóssil.
Os resultados indicam ainda que certas populações antigas apresentavam características físicas semelhantes às do extinto urso-das-cavernas, sugerindo que os ursos pardos poderão ter ocupado nichos ecológicos semelhantes de forma local na ausência de ursos-das-cavernas.
Declínio do tamanho ao longo do tempo
O trabalho agora publicado identifica uma tendência clara: ao longo de milhares de anos, o urso pardo na Península Ibérica sofreu uma redução significativa de tamanho. Hoje, os ursos ibéricos apresentam massas médias bastante inferiores, variando entre 140 kg no caso dos machos e 100 kg no das fêmeas, contrastando com populações antigas muito maiores.
Segundo os investigadores, esta diminuição estará fortemente associada à pressão humana e à alteração de habitats, fatores que marcaram a evolução recente da espécie.
Para além de caracterizar o tamanho e morfologia dos ursos, a investigação estabelece um novo modelo evolutivo para o urso pardo na Península Ibérica, identificando diferentes populações ao longo do tempo e possíveis mudanças ligadas ao clima e ao ambiente.
O estudo permite também confirmar que, nos fósseis analisados em Portugal, não existem até o momento evidências de outras espécies de ursos, como o urso-das-cavernas (Ursus spelaeus). O urso pardo está extinto em Portugal apenas desde o século XIX, devido à ação humana.
Referências:
Estraviz-López, D., García-Vázquez, A., Ríos, M., & Grandal-d’Anglade, A. (2026). Pleistocene brown bears from Portugal: Morphometric trends, paleoenvironmental drivers and paleobiological inferences. Palaeogeography, Palaeoclimatology, Palaeoecology, 113964.
Artigo
https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S003101822600427X
Fonte: Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade NOVA de Lisboa














































