O Brasil enviará à União Europeia (UE) em até 15 dias informações sobre uso de antimicrobianos em carnes, informou à Lusa autoridade do Ministério da Agricultura e Pecuária do Brasil.
O envio faz parte das negociações, após a decisão na terça-feira da UE de retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal destinados ao consumo humano.
“Ficou consensuado de que nós enviaríamos essas informações”, disse o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária, Luis Rua, acrescentando que o prazo pode variar entre “10 dias úteis ou duas semanas cheias”.
Segundo o secretário, a decisão da UE está relacionada exclusivamente à questão dos antimicrobianos utilizados na produção animal.
“Essa exclusão do Brasil da lista [ocorreu] em função de uma única questão, que é a questão dos antimicrobianos”, declarou em entrevista à Lusa.
Luis Rua afirmou que o Brasil mantém uma política nacional de redução de antimicrobianos alinhada às práticas adotadas pela Europa e por outros países.
“Nós iremos agora fornecer todas as informações para dar as garantias dessas exigências adicionais que estão sendo solicitadas pela União Europeia”, disse.
Segundo o secretário do Ministério da Agricultura e Pecuária, o Brasil solicitou que a análise europeia seja feita separadamente por tipo de proteína animal.
“Nós vamos montar pacotes de informações específicos para carne de aves, pacotes de informação específicos para carne bovina, para os ovos, para o mel e para todos os produtos de origem animal destinados ao consumo humano”, explicou.
Luis Rua disse na sequência que o governo brasileiro trabalha em conjunto com o setor privado para reunir os dados exigidos pela UE.
“Algumas informações são de competência do setor privado, outras de competência aqui do Governo federal, de maneira que a gente fará uma força-tarefa para enviar essas informações”, afirmou.
O secretário informou que ocorreram nesta quarta-feira duas reuniões entre autoridades brasileiras e representantes europeus.
Uma delas reuniu o embaixador brasileiro junto à UE, Pedro Miguel Costa e Silva, e o adido agrícola Nilton Moraes com a Direção-Geral de Saúde e Segurança Alimentar da Comissão Europeia (DG Santé).
A segunda reunião ocorreu em Brasília entre Luis Rua e a embaixadora da UE no Brasil, Marian Schuegraf.
O secretário destacou que as exportações brasileiras para o mercado europeu seguem autorizadas até a entrada em vigor da nova regulamentação, prevista para 03 de setembro de 2026.
“O Brasil continua podendo exportar normalmente os produtos de proteína animal para o continente europeu”, disse.
Luis Rua afirmou ainda que o Brasil exporta proteínas animais para mais de 170 países e possui um sistema sanitário “robusto” e “reconhecido internacionalmente”.
“O Brasil é confiável, é seguro, é estável”, enfatizou
O secretário defendeu que a relação comercial entre o Brasil e o bloco económico seja preservada após a assinatura do acordo entre Mercosul e União Europeia, e frisou que “bons parceiros devem ser tratados como bons parceiros”.














































