Uma associação de produtores agrícolas de Serpa, distrito de Beja, criticou hoje a “escalada dramática” do preço do gasóleo agrícola e o “aumento súbito e galopante” dos adubos e fertilizantes devido à guerra no Irão.
Em comunicado enviado hoje à agência Lusa, a Associação de Produtores da Região de Serpa (APROSERPA) argumentou que a “atual instabilidade internacional [devido à guerra no Irão] está a ter um impacto devastador e imediato” nas explorações agrícolas.
Este impacto deve-se ao “aumento súbito e galopante dos fatores de produção”, como é o caso dos adubos e fertilizantes, e também à “escalada dramática” do preço do gasóleo agrícola (gasóleo verde).
A título de exemplo, para dar a entender a gravidade da situação, a APROSERPA esclareceu que “o consumo de um trator não se compara ao de um automóvel”.
Um trator atual com uma potência média/baixa, de cerca de 100 cavalos (cv), consome entre seis a oito litros de combustível por hora (L/h), no caso de um uso ligeiro.
O gasto de combustível aumenta para 10 a 14 L/h, se o agricultor tiver um uso médio do trator, e ‘dispara’ para 15 a 20 L/h numa utilização pesada, por exemplo na lavoura.
“Num dia de trabalho intensivo de oito a 10 horas, um único trator consome facilmente entre 150 a 200 litros de gasóleo verde”, disse a APROSERPA.
Segundo a associação, “com os valores atuais na bomba, isto significa que ligar um único trator custa hoje a um agricultor entre 200 a 280 euros por dia só em combustível”.
E multiplicando estes valores “pelos dias de campanha e pela frota necessária numa exploração”, aos quais ainda se soma “o custo astronómico dos fertilizantes, percebe-se rapidamente que os custos de produção estão a asfixiar o setor produtivo”, garantiu a APROSERPA.
No comunicado, além deste assunto, a associação agrícola criticou ainda a falta de uma “intervenção estrutural” do Governo “para proteger a produção nacional de alimentos” e alertou que “o tempo das ‘reuniões simpáticas’ acabou”.
“Se este grito de alerta continuar a ser ignorado pelo poder político, a APROSERPA e os seus associados estão totalmente mobilizados e disponíveis para avançar para novas formas de luta e protesto no terreno”, assumiu.
A associação pediu com “urgência máxima” uma reunião com a vice-presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Alentejo para a área da Agricultura, Helena Cavaco, para “exigir a defesa intransigente do sistema extensivo que abrange mais de 1.400 agricultores só no concelho de Serpa”.
Os agricultores criticaram ainda “o caos na sanidade animal”, a falta de vacinas e “a ausência total de informação atempada e de diretrizes claras por parte da tutela”, assim como “o silêncio sobre a nova Política Agrícola Comum (PAC) e a ameaça dos acordos comerciais”.
“Não podemos continuar a ser meros espetadores da nossa própria ruína. Exigimos menos política de gabinete e mais ação. Sem agricultores não há comida e, sem comida, não há soberania”, asseverou a APROSERPA.
A guerra no Irão começou a 28 de fevereiro, desencadeada pela ofensiva conjunta de Israel e dos Estados Unidos contra Teerão.
O conflito provocou a quase paralisia do tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz, o que conduziu a uma forte subida do preço dos hidrocarbonetos, que está a ter impacto acentuado na economia internacional.















































