Encontro na Régua reuniu especialistas e agentes do setor para debater os desafios da valorização, comunicação e sustentabilidade dos grandes vinhos fortificados
A ProDouro assinalou os seus 10 anos de atividade com a realização do colóquio “3 Fortificados de Sucesso no Mundo — Vinho do Porto, Jerez e Madeira”, uma iniciativa que reuniu, no Peso da Régua, especialistas e representantes de três das mais emblemáticas categorias de vinhos fortificados para refletir sobre o seu presente e futuro.
O encontro decorreu num momento de forte simbolismo para a região, ao coincidir com a celebração dos 10 anos da ProDouro e com os 270 anos da criação da Região Demarcada do Douro, fundada em 1756. Na sessão de boas-vindas, o Presidente da ProDouro, Rui Soares, sublinhou a importância destes marcos enquanto expressão de continuidade, valorização territorial e compromisso com os produtores do Douro.
Segundo o discurso da sessão, a associação representa atualmente 122 membros, 1.209 viticultores e 5.390 hectares de vinha.
“Ao reunir Vinho do Porto, Jerez e Madeira, quisemos criar um espaço de reflexão séria sobre o futuro de grandes vinhos que têm história, identidade e desafios comuns”, afirma Rui Soares, Presidente da ProDouro.
O programa contou com a abertura oficial de José Manuel Gonçalves, Presidente da Câmara Municipal de Peso da Régua, e com uma abertura institucional por Gilberto Igrejas, Presidente do IVDP. A componente técnica e de reflexão incluiu uma intervenção de Sara Matos, Wine Educator na The Wine House e da WSET, centrada na evolução do contexto global dos vinhos fortificados, na perceção do consumidor e nas boas práticas de comunicação, serviço e formação, bem como apresentações temáticas de César Saldaña, Presidente do Consejo Regulador de Jerez, sobre Jerez, Ricardo Diogo, da Vinhos Barbeito, sobre Madeira, e David Guimaraens, da The Fladgate Partnership, sobre Vinho do Porto.
Ao longo do colóquio, foram destacados vários desafios comuns às três regiões e categorias: a necessidade de garantir maior rentabilidade à produção, preservar a vinha e o território, reforçar a capacidade de comunicação junto de novos públicos e adaptar a forma de apresentar estes vinhos aos contextos contemporâneos de consumo. A intervenção de Sara Matos acrescentou a esta reflexão a perspetiva do consumidor e do contexto global do vinho, sublinhando tendências como a procura de estilos mais secos, o consumo mais seletivo, a premiunização e a importância da educação, da temperatura de serviço, do copo, dos formatos e da democratização no reposicionamento dos vinhos fortificados.
Nas várias apresentações, surgiram ainda temas como o declínio de vendas e a premiunização em Jerez, a pressão sobre a vinha e o envelhecimento dos viticultores na Madeira, e a urgência de reforçar a valorização económica da viticultura duriense e de contrariar a quebra das categorias standard no Vinho do Porto.
Além do debate técnico, o colóquio incluiu um almoço temático servido no restaurante Adega O Escondidinho, com harmonizações de Vinhos do Porto, Jerez e Madeira, num momento pensado para demonstrar, de forma prática, o potencial destes vinhos à mesa e a sua capacidade de se afirmarem em propostas de consumo mais contemporâneas. A harmonização foi trabalhada em estreita colaboração entre o chefe do restaurante e Paulo Russell-Pinto, do IVDP.
“O futuro destes vinhos joga-se em três frentes: rentabilidade da produção, comunicação com novos públicos e capacidade de preservar identidade sem perder atualidade”, sublinha Rui Soares.
A sessão da tarde incluiu ainda um momento dedicado à valorização do território vinhateiro e um debate moderado por Sara Matos, com a participação de David Guimaraens, da The Fladgate Partnership, Ricardo Diogo, da Vinhos Barbeito, César Saldaña, Presidente do Consejo Regulador de Jerez, Tiago Alves de Sousa, enólogo da Alves de Sousa, Manuel Torres Zarzana, de Jerez, e Gilberto Igrejas, Presidente do IVDP, num painel alargado sobre os desafios e oportunidades dos vinhos fortificados no contexto atual.O programa terminou com uma prova de vinhos e lanche.
Para a ProDouro, a iniciativa confirmou a importância de promover espaços de debate qualificado sobre temas centrais para o futuro da região e do setor, cruzando perspectivas ligadas à produção, mercado, comunicação, identidade e sustentabilidade.
Criada em 2015, a ProDouro — Associação dos Viticultores Profissionais do Douro é uma associação sem fins lucrativos que trabalha em defesa dos viticultores profissionais e da valorização das propriedades e produções da Região Demarcada do Douro.
Fonte: ProDouro













































