Os produtores de Gado do Nordeste Transmontano decidiram unir-se através de um conjunto de iniciativas sociais, ambientais e temáticas para valorizar e dignificar a profissão que está envelhecida neste território, foi hoje divulgado.
Este grupo “Pastores entre os Montes” surge quando se celebra o Ano Internacional das Pastagens e dos Pastores, que este mês tem como tema central a biodiversidade e os sistemas ecossistémicos, estando já programado um jantar para sábado, em Miranda do Douro, distrito de Bragança, que reunirá mais de 150 pastores do território transmontano.
Esta iniciativa terá ainda associada uma jornada com várias palestras dedicadas à pastorícia e os seus perigos, como é caso do uso dos herbicidas nos ecossistemas que são prejudiciais para a prática da pastorícia, sendo uma das maiores preocupações dos pastores, por causar a morte de animais.
Em declarações à agência Lusa, a secretaria técnica da Associação Nacional de Criadores de Raça Churra Mirandesa (ANCOM), Andrea Cortinhas, disse que o setor está envelhecido, sendo preciso dignificar o setor para atrair os mais jovens para à pastorícia no Nordeste Transmontano.
Andrea Cortinhas, que também está ligada à organização deste encontro de pastores, refere a dificuldade em rejuvenescer o setor agropecuário, considerando ser fundamental valorizar e divulgar o testemunho das pessoas que se dedicam à criação de rebanhos de ovinos e caprinos para atrair novos pastores.
“Ao contrário do que se possa pensar, os pastores, pela sua experiência adquirida no contacto com a natureza e no cuidado aos animais, são pessoas portadoras de uma grande sabedoria. O pastor é o guardião do ecossistema e tem a paisagem preservada devido ao seu papel neste setor, e que começa a ser reconhecido”, vincou a zootécnica.
Os pastores do Nordeste Transmontano estão igualmente em contacto com Instituto Politécnico de Bragança (IPB) para quebrar a ideia do pastor isolado, solitário e sem apoio científico, e contam ainda com o apoio dos vários municípios e associações de produtores de gado ovino e caprino que promovem anualmente concursos de gado para valorizar as raças autóctones, tendo em vista estimular a atividade da pastorícia.
A técnica da ANCOM disse também que os pastores recebem apoios à produção.
“A palavra subsídio é feia. Os apoios dados são para que produtores de gado e os pastores consigam colocar no mercado produtos de qualidade ao melhor preço”, sublinhou.
A subida do preço dos combustíveis e o aumento do valor pago pelos fatores de produção serão outros temas a abordar.













































