Plataforma quer o fim dos apoios a herbicidas

Plataforma quer o fim dos apoios a herbicidas

As medidas agroambientais do próximo Quadro Comunitário de Apoio (QCA) devem excluir subsídios para o uso de herbicidas na agricultura, concretamente o glifosato, que é considerado potencialmente cancerígeno, defende a Plataforma Transgénicos Fora (PTF), que congrega entidades não governamentais da área do ambiente e agricultura. Alexandra Azevedo, da PTF, considera que este é o primeiro passo para “preservar o solo e a biodiversidade”, facilitando uma boa produção agrícola.

Atualmente, “as medidas agroambientais ainda preveem apoios” a produções que recorrem ao uso de herbicidas, sendo a agricultura o setor que “mais pesticidas consome”, denuncia Alexandra Azevedo. Mas os herbicidas “deixam o solo estéril, promovem a erosão, prejudicam o ambiente e a saúde”, alerta Jorge Ferreira, da mesma plataforma.

Por isso, numa altura em que se começa a discutir o QCA da Política Agrícola Comum, que irá vigorar de 2021 a 2027, a PTF lançou a campanha “Agroambientais sem glifosato/herbicidas”, apresentando propostas que visam travar o uso de herbicidas, promover práticas mais ecológicas para cuidar da terra e das culturas e alertar Governo, agricultores e restante sociedade para o risco de se continuar a usar pesticidas.

A PTF também defende a necessidade de reduzir as emissões de gases com efeito de estufa (como o dióxido de carbono e óxido nitroso) e aumentar o sequestro de carbono no solo. Promover uma agricultura regenerativa, que tenha como prioridade o aumento da matéria orgânica e do carbono do solo, é outro dos objetivos.

Para isso, é preciso promover práticas agrícolas como a adubação verde anual ou enrelvamento do solo, empalhamento (técnica de cobertura do solo), estrumação verde, utilização de subprodutos das agroindústrias para compostagem e aplicação na terra, rotação de culturas, entre outras.

A agricultura ocupa 40% do território nacional, funcionando como uma “fábrica de sequestro de carbono” importante para combater as alterações climáticas, vincou Alexandra Azevedo, durante o lançamento da campanha, na Herdade do Esporão, um exemplo de boas práticas [ler texto ao lado].

Glifosato. o mais vendido

Ao JN, o Ministério da Agricultura adiantou que “o glifosato continua a ser o composto mais vendido em termos nacionais, representando cerca de 69% do volume total de vendas de herbicidas no território nacional”. A sua “eventual retirada do mercado terá de ser avaliado com algum cuidado, de forma a não ter impactos significativos na economia das empresas agrícolas e no rendimento dos agricultores”.

Quanto ao incremento de práticas agrícolas que auxiliem a redução de gases de estufa, o ministério sublinha que está a trabalhar para esse fim no âmbito do roteiro para a neutralidade carbónica (que prevê que o balanço entre as emissões e as remoções da atmosfera dos gases com efeito de estufa seja nulo em 2050) e “não esquece o papel da produção nacional” para atingir os objetivos.

Guia de boas práticas – Jorge Ferreira escreveu o Guia de Fatores de Produção para a Agricultura Biológica, em que apresenta soluções ecológicas.

Solo poluído – Um estudo de Vera Silva, da Universidade de Wageningem, Noruega, publicado em 2017, constatou que Portugal era, dos 11 países analisados, o que tinha maior teor de glifosato.

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