Num momento em que o setor agroalimentar enfrenta desafios cada vez mais complexos, o Portugal Food Safety posiciona-se como um espaço de reflexão que vai além dos referenciais de certificação e das questões técnicas, promovendo uma visão integrada da cadeia de valor alimentar.
A multiplicação de congressos, fóruns e encontros dedicados à segurança alimentar é um reflexo direto da evolução do próprio setor. A crescente complexidade dos processos produtivos, as alterações legislativas, a digitalização, as exigências dos consumidores e os desafios globais das cadeias de abastecimento criaram a necessidade de espaços de debate cada vez mais especializados.
Neste contexto, é natural que surja uma questão: o que distingue o Portugal Food Safety de outros eventos dedicados à segurança alimentar, como o IFS Forum Lisboa e o FSSC Connection Day?
Num ano em que o setor acolhe várias iniciativas de referência, torna-se particularmente pertinente compreender qual o posicionamento do Portugal Food Safety e o valor que procura acrescentar ao debate setorial. Embora eventos como o IFS Forum Lisboa e o FSSC Connection Day desempenhem um papel importante na atualização técnica e na discussão de referenciais específicos, o Portugal Food Safety foi concebido para responder a um desafio diferente: criar uma visão integrada dos temas que impactam toda a cadeia de valor agroalimentar.
O Portugal Food Safety não foi concebido para aprofundar um único esquema de certificação, acompanhar alterações específicas de um referencial ou discutir exclusivamente uma determinada área técnica. O seu objetivo é mais abrangente: reunir todos os intervenientes da cadeia de valor agroalimentar para refletir sobre os grandes desafios que moldam o presente e o futuro da segurança alimentar.
Num setor onde as fronteiras entre produção, indústria, logística, distribuição, regulamentação e tecnologia são cada vez mais ténues, torna-se cada vez mais difícil analisar os desafios de forma isolada. A segurança alimentar deixou de ser uma responsabilidade exclusiva dos departamentos de qualidade ou dos responsáveis pela conformidade. Hoje, é um tema transversal que influencia decisões estratégicas em toda a organização.
É precisamente sobre esta visão integrada que assenta o Portugal Food Safety 2026, que terá lugar no dia 28 de outubro, no Montebelo Mosteiro de Alcobaça Historic Hotel. Ao longo do programa, os participantes são convidados a acompanhar uma jornada que percorre toda a cadeia agroalimentar, desde a produção primária até ao consumidor final. Em vez de abordar apenas uma componente da realidade alimentar, o evento procura analisar as ligações existentes entre os diversos intervenientes e compreender de que forma estas influenciam a confiança, a qualidade e a segurança dos alimentos.
Esta abordagem torna-se particularmente relevante numa altura em que o setor enfrenta transformações significativas.
As cadeias de abastecimento tornaram-se mais globais e mais vulneráveis a fatores externos. Questões geopolíticas, alterações climáticas, disponibilidade de matérias-primas e volatilidade dos mercados passaram a ter impacto direto na capacidade das empresas garantirem produtos seguros, consistentes e conformes.
Ao mesmo tempo, os consumidores demonstram um interesse crescente pela origem dos alimentos, pelos processos produtivos, pela sustentabilidade e pela transparência da informação disponibilizada.
A estes desafios juntam-se novas exigências regulamentares, que obrigam as organizações a repensar processos, sistemas de controlo e mecanismos de rastreabilidade. Temas como sustentabilidade, embalagens, rotulagem, prevenção da fraude alimentar e gestão de risco assumem hoje uma importância estratégica que ultrapassa largamente os limites da conformidade tradicional.
Por isso, uma das características mais distintivas do Portugal Food Safety é precisamente a sua capacidade de integrar diferentes perspetivas num mesmo espaço de debate.
O evento reúne profissionais da produção agrícola, indústria alimentar, retalho, distribuição, auditoria, certificação, consultoria, laboratórios, entidades reguladoras, fornecedores de soluções tecnológicas e especialistas de diferentes áreas. Esta diversidade permite que os temas sejam analisados a partir de múltiplos pontos de vista, enriquecendo a discussão e criando oportunidades de aprendizagem que dificilmente surgem em contextos mais especializados.
A forma como o Portugal Food Safety se posiciona no panorama dos eventos de segurança alimentar reflete-se também na diversidade de entidades que já associaram o seu nome à iniciativa. Empresas da indústria alimentar, organismos de certificação, proprietários de referenciais internacionais, fornecedores de serviços especializados e entidades de apoio institucional contribuem para um ecossistema verdadeiramente representativo da cadeia agroalimentar.
A presença de organizações como o Continente, GreenAgri, Kiwa, Christeyns, SGS, COTHN, Quina Ribeiro, ASAE, BRCGS e IFS, Voz do Campo, entre outras, demonstra a capacidade do evento para reunir diferentes visões e experiências em torno dos desafios que hoje marcam a segurança alimentar. Esta diversidade é complementada por um Comité Técnico composto por profissionais com experiência em áreas distintas da cadeia de valor, assegurando que os temas em debate refletem as preocupações reais das empresas e dos profissionais do setor.
Esta pluralidade de intervenientes reflete-se também na própria estrutura dos conteúdos. Em vez de limitar a discussão aos referenciais de certificação ou aos requisitos operacionais, o Portugal Food Safety integra temas que estão a transformar profundamente o setor alimentar. A digitalização dos processos, a aplicação da inteligência artificial, a gestão da rastreabilidade, a sustentabilidade, as embalagens, as cadeias de abastecimento, a fraude alimentar e a evolução regulamentar europeia fazem parte de uma agenda construída para responder aos desafios atuais e futuros das organizações.
A digitalização dos processos, a utilização de inteligência artificial, a gestão de dados, a rastreabilidade avançada, a economia circular, os requisitos associados à sustentabilidade e os novos enquadramentos regulatórios fazem parte de uma agenda construída para responder aos desafios atuais e futuros das organizações.
Esta realidade reflete uma mudança que se verifica em todo o setor. A segurança alimentar continua a ser um tema fundamental, mas já não pode ser encarada de forma isolada. Está diretamente relacionada com a inovação, com a sustentabilidade, com a confiança dos consumidores, com a capacidade de adaptação às alterações regulamentares e com a resiliência das cadeias de abastecimento.
É precisamente por isso que diferentes eventos conseguem coexistir e gerar valor para o setor.
Os fóruns especializados continuam a desempenhar um papel essencial na atualização técnica e no aprofundamento de conhecimentos específicos. As iniciativas centradas em determinados referenciais ou áreas de atuação continuam a responder a necessidades muito concretas dos profissionais.
O Portugal Food Safety assume um papel complementar.
A sua proposta consiste em criar uma plataforma de diálogo onde os diversos intervenientes da cadeia agroalimentar possam debater as grandes tendências que impactam o setor como um todo. Mais do que discutir requisitos específicos, procura promover uma visão global dos desafios que as organizações enfrentam e das soluções que poderão marcar os próximos anos.
Num contexto de mudança acelerada, esta capacidade de integrar diferentes perspetivas assume uma relevância crescente.
A inovação já não acontece apenas dentro das empresas. Surge frequentemente da interação entre diferentes áreas de conhecimento, da partilha de experiências e da capacidade de antecipar tendências que afetam toda a cadeia de valor.
É neste enquadramento que o Portugal Food Safety se afirma como um ponto de encontro para profissionais que procuram compreender não apenas os desafios da sua área de especialização, mas também as transformações que estão a redefinir o setor agroalimentar no seu conjunto.
Porque, no final, a segurança alimentar não depende de uma única norma, de uma única tecnologia ou de uma única organização. Depende da capacidade de toda a cadeia trabalhar de forma articulada, partilhar conhecimento e construir respostas comuns para desafios que são, cada vez mais, coletivos.
Fonte: Portugal Food Safety













































