As exportações moçambicanas de castanha de caju bruta renderam 70,9 milhões de euros no primeiro semestre, continuando como principal produto agrícola de exportação nacional, apesar da quebra de 17,7% face ao mesmo período de 2025.
De acordo com dados de execução do primeiro semestre de 2026, do Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas, Moçambique exportou produtos agrícolas no valor total de 108,5 milhões de dólares (92,8 milhões de euros), correspondendo a um crescimento de 5% face aos 103,2 milhões de dólares (88,3 milhões de euros) registados no mesmo período de 2025.
A castanha de caju bruta representou mais de três quartos das receitas das exportações agrícolas, ao gerar 82,9 milhões de dólares (70,9 milhões de euros), apesar de ter recuado face aos 100,7 milhões de dólares (86,1 milhões de euros) obtidos no primeiro semestre de 2025.
Em termos de volume, as exportações de castanha de caju bruta passaram de 74.664 toneladas no primeiro semestre de 2025 para 73.391 toneladas nos primeiros seis meses deste ano.
O Vietname e a Índia mantiveram-se este ano como os principais destinos da castanha de caju moçambicana, seguindo-se a África do Sul.
A macadâmia foi o segundo principal produto agrícola exportado, rendendo 19 milhões de dólares (16,2 milhões de euros), com o Vietname e a China a surgirem como os principais mercados compradores.
O relatório assinala ainda exportações de gergelim no valor de 16,8 milhões de dólares (14,4 milhões de euros), destinadas sobretudo à China, e de soja, que renderam 4,6 milhões de dólares (3,9 milhões de euros).
Já as exportações de fibra de algodão quase duplicaram em valor, passando de 2,5 milhões de dólares (2,1 milhões de euros) para 4,2 milhões de dólares (3,6 milhões de euros), com o Bangladesh, Dubai e a Suíça entre os principais destinos.
O Governo moçambicano aprovou há cerca de um mês um novo regulamento para a cadeia de valor do caju, através da regulamentação da Lei do Caju de 2023, revogando o regime em vigor desde 2018. Segundo o executivo, o novo regulamento estabelece regras específicas para o fomento, produção, secagem, embalagem, armazenamento, comercialização, transporte, processamento, exportação e importação de caju, procurando harmonizar e atualizar todo o enquadramento legal do setor.
O Governo defende que a revisão regulamentar é necessária para responder aos desafios atuais da atividade e reforçar a competitividade nacional num mercado internacional cada vez mais exigente.
“A proposta de regulamento mostra-se pertinente e crucial para o reforço da competitividade da cadeia de valor do caju em toda a sua amplitude e do país no mercado global do caju”, referiu o executivo aquando da aprovação do diploma, em 04 de agosto.
O reforço da competitividade da cultura do caju integra igualmente o Programa de Desenvolvimento da Cadeia de Valor do Caju 2025-2034, avaliado em 374 milhões de dólares (320 milhões de euros), que prevê elevar a produção anual das atuais 158 mil toneladas para 689 mil toneladas até 2034.
Entre as metas definidas constam o aumento do número de produtores assistidos de cerca de 230 mil para mais de 600 mil, o crescimento da capacidade de processamento de 40 mil para mais de 482 mil toneladas e o aprofundamento da digitalização do setor.
Dados anteriormente divulgados pelo Ministério da Agricultura indicam que a comercialização de castanha de caju na campanha 2024/2025 atingiu aproximadamente 195.400 toneladas, aproximando-se dos níveis históricos registados durante o período colonial.
Em 1973, Moçambique ocupava o segundo lugar mundial na produção de caju processado, com cerca de 210 mil toneladas, atrás apenas da Índia. Após a independência, em 1975, a produção caiu para cerca de 15 mil a 20 mil toneladas anuais, recuperando progressivamente nas últimas décadas.














































